
O Irã atacou mais de 20 instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, mostram imagens de satélite analisadas pela emissora britânica BBC que foram divulgadas nesta segunda-feira, 1°. Segundo a reportagem, os danos causados por bombardeios iranianos foram mais precisos e abrangentes do que declarado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
A BBC afirmou que o governo americano tem limitado o acesso a imagens de satélite do conflito, como noticiado anteriormente pelo jornal americano The Washington Post. Logo após a eclosão da guerra, a Casa Branca solicitou aos dois dos maiores fornecedores comerciais, Vantor e Planet, que limitem, atrasem ou suspendam por tempo indeterminado a divulgação de imagens do Irã e de grande parte do Oriente Médio, alegando que podem ser usadas “por atores adversários para atacar pessoal e civis de aliados e parceiros da Otan”.
Para driblar as restrições, a BBC analisou imagens de satélite de outros fornecedores internacionais e combinou com antigas da Planet, de forma a rastrear os estragos provocados por ataques do Irã. Dessa forma, constatou que instalações na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Iraque, Jordânia, Bahrein e Omã foram atingidas. Alguns analistas estimam que até 28 bases foram alvejadas, de acordo com a emissora.
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Na ofensiva iraniana, foram danificados três sistemas de baterias antimísseis balísticos de última geração nas bases de Al Ruwais e Al Sader, nos Emirados Árabes, e na base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia. As imagens também mostram que os ataques atingiram aeronaves americanas de reabastecimento e vigilância na Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, onde foi possível ver crateras fumegantes.
Analistas da empresa britânica de análise de inteligência MAIAR identificaram depósitos de combustível, hangares e alojamentos destruídos na base aérea Ali Al Salem e o Campo Arifjan, no Kuwait. O próprio Pentágono, em um relatório de maio, reconheceu que ao menos 42 aeronaves — incluindo caças F-15, 24 drones MQ-9 Reaper e um avião de ataque A-10 — foram destroçadas ou danificadas desde fevereiro.
A extensão dos problemas para os EUA também se dá por uma mudança de tática adotada por Teerã, que passou de bombardeios indiscriminados a ataques mais precisos.
“Os ataques iniciais (do Irã) foram otimizados para volume — ondas massivas projetadas para sobrecarregar as defesas aéreas e antimísseis pela pura superioridade numérica”, disse Kelly Grieco, analista do think tank americano Stimson Center. “Em poucos dias, porém, o Irã passou a usar salvas menores e mais precisas, conservando os mísseis e drones restantes para alvos específicos de alto valor e concentrando o fogo onde mesmo impactos próximos causam danos significativos.”