Uma goleada por 6 a 2 no Maracanã e na despedida do time antes da disputa do Mundial normalmente teria o efeito de incendiar de otimismo a arquibancada e inflamar o coro de “para frente, Brasil”. Não é o que está acontecendo. Nem o maior Pacheco dos torcedores brasileiros há de discordar: a seleção canarinho chega à Copa de 2026 como uma grande incógnita. Está fora do pote de favoritas e não se sabe sequer qual é o time titular. O técnico Carlo Ancelotti confessou depois do amistoso de domingo, 31, contra o Panamá, que tem dúvidas a respeito dos jogadores que deverão iniciar o torneio, pois os reservas que entraram no segundo tempo do jogo mostraram mais disposição. Já há campanhas em curso na imprensa para a troca urgente de peças. Será que com uma ou outra substituição o escrete pode engrenar para o hexa?

Desconfio que não. Alguém acredita que Wesley, Bruno Guimarães e Matheus Cunha sendo substituídos por Rayan, Paquetá, Igor Thiago e Danilo Santos é uma manobra que vai transformar um time mediano em uma máquina de jogar bola? A preocupação aumenta quando se começa a comparar esses nomes com a fartura de opções de seleções como França e Espanha. A depressão vem com força ao lembrarmos que a Argentina, além de uma boa e experiente equipe, vem de novo com o Messi. O nosso “messi”, o Neymar, mal consegue chutar uma bola no momento. Diante desse cenário, só mesmo com muita fé para acreditar. O hexa depende essencialmente da intervenção do Sobrenatural de Almeida.

Como definiu o escritor Nelson Rodrigues, esse personagem representa a intervenção divina e inesperada que pode alterar o curso das coisas em uma partida. O Brasil vai precisar de uma boa dose de sorte nos campos dos Estados Unidos, México e Canadá. Ancelotti tem experiência para montar a tempo um time operário, apostando em atacantes rápidos para jogar em contra-ataques. O conjunto pode ganhar corpo nas primeiras fases. Nas partidas mais difíceis e eliminatórias, o negócio pode ir em frente contando com a forcinha do além.

Como mostra a história, nem sempre a seleção favorita e de forma mais exuberante leva o caneco. Timaços como a Hungria, em 54, a Holanda em 74, e o Brasil em 82 ficaram pelo caminho, eliminadas por times considerados mais fracos. Daqui a alguns dias, a esperança é que o escrete surpreenda e desbanque os atuais favoritos.

A canarinho, quem diria, virou zebra. Só nos resta torcer para que o Sobrenatural de Almeida entre em campo.

 



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