Com a saída do ex-governador Cláudio Castro do cenário eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL) agora tenta reconstruir seu palanque no Rio, estado que é o berço do bolsonarismo. Como mostrou VEJA, antes de bater o martelo sobre quem concorrerá pelo partido ao Senado, ele quer ver a vibilidade eleitoral dos nomes na mesa em pesquisas. Aliados têm pressa diante do desgaste provocado pelas investigações contra Castro, alvo de duas operações da Polícia Federal em menos de duas semanas. O deputado federal Carlos Jordy, que tenta ocupar o espaço antes do ex-governador na chapa, fala em “redirecionar esforços” e “ver nova estratégia” para não prejudicar, principalemente, a campanha de Flávio no Rio.

Para ele, Castro “afeta negativamente” o grupo à medida que novas suspeitas vêm à tona. A expectativa é de que o pré-candidato a presidente e seu pai, Jair Bolsonaro, definam o palanque do Rio até a próxima semana. Quem também é cotado para concorrer ao Senado é o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, pastor e ligado a Silas Malafaia. E corre por fora o senador Carlos Portinho, que assumiu como suplente com a morte de Arolde de Oliveira, em 2020.

Já Douglas Ruas, presidente da Alerj, reafirmou nesta segunda-feira, 01, sua pré-candidatura a governador pelo PL. Ele ainda patina nas pesquisas contra Eduardo Paes (PSD) e, na sexta-feira, teve o pedido para assumir o governo do estado no lugar de Ricardo Couto rejeitado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). No seu campo, não há mais esperança de que ele possa comandar o Palácio Guanabara ainda este ano. O grande desafio será superar o desconhecimento da população sem a máquina nas mãos e se descolando de Castro. Questionado se as operações da PF respingam na sua pré-candidatura, ele nega, sem citar Castro, de quem foi secretário. “Minha pré-candidatura é apresentar Douglas Ruas para a população, nosso plano de governo”, acrescenta ele, que busca não ser apresentar como candidato da continuidade.

Sem ter o governador, o partido tentará colar a imagem de Ruas à de Flávio. Inicialmente, o plano era fazer uma campanha ao governo do estado mais independente do pré-candidato a presidente, que assim teria mais liberdade para percorrer o país sem se preocupar com o Rio. Terceiro maior colégio eleitoral do país, o estado é crucial para o grupo, especialmente num cenário de eleição apertada. “O PL tem no Rio de Janeiro sua principal base: são três senadores, um ex-governador e  grande parte da bancada de deputados federais”, diz Sóstenes Cavalcante. “O Rio é estratégico pela força do PL no estado. Nesse momento de mudanças, precisamos consolidar esse trabalho”.

Cientista política da UFRJ, Mayra Goulart avalia que os nomes ventilados para o palanque de Flávio no Rio “falam pouco para fora da bolha bolsonarista”, o que é um problema para o grupo.  “Se essa eleição for apertada como a última, o Rio pode até definir o resultado”, diz ela, completando. “Essa eleição será um teste de resiliência e força para o bolsonarismo no Rio”. 



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