
Neste domingo, 31, o tênis brasileiro viveu um momento histórico com a vitória de João Fonseca sobre Casper Ruud pelas oitavas de final de Roland Garros, mas o confronto também ficou marcado por um momento de grande debate. O brasileiro de 19 anos superou o norueguês, duas vezes finalista do torneio, com parciais de 7/5, 7/6(8), 5/7 e 6/2, em uma batalha de 3 horas e 55 minutos.
O lance polêmico ocorreu em um momento crucial: o tie-break do segundo set, quando Ruud sacava liderando por 8 a 7, com um set point a seu favor. Fonseca disparou um forehand potente e bastante ajustado no fundo de quadra e, enquanto a bola voava, um grito de “fora” vindo da arquibancada gerou confusão, embora nenhum juiz de linha tenha feito a marcação. A juíza de cadeira, Louise Engzell, desceu para checar a marca no saibro e determinou que a bola foi dentro, dando o ponto ao brasileiro e empatando o tie-break em 8 a 8. João Fonseca acabou vencendo os dois pontos seguintes e fechou a parcial, abrindo 2 sets a 0 na partida.
O debate ganhou força porque a tecnologia de revisão eletrônica, exibida pela transmissão televisiva, demonstrou que a bola de Fonseca havia, de fato, saído. No entanto, Roland Garros é o único torneio de Grand Slam que não utiliza o sistema eletrônico (Hawk-Eye) oficialmente, mantendo a tradição de confiar na avaliação humana e na verificação das marcas no saibro, o que validou o ponto a favor do brasileiro.
Em sua entrevista coletiva pós-jogo, Casper Ruud apresentou-se abatido, mas manteve sua postura serena e não escondeu a frustração com o momento decisivo. “Houve um set point no segundo set, ou dois. A direita que ele deu foi muito ajustada — poderia ter entrado ou saído. Obviamente, foi cantada dentro”, explicou o norueguês. Ele destacou como a marcação mudou os rumos do jogo: “Se eu tivesse ganho aquele set, talvez o placar teria sido dois sets a um em vez de dois a um contra. Em vez de 0/2, estaríamos 1/1. Então, obviamente, é uma pena na minha situação”.
Apesar do gosto amargo com o ponto controverso, Ruud fez questão de render elogios a João Fonseca, que se tornou o primeiro brasileiro a atingir as quartas de final em Paris desde Gustavo Kuerten, em 2004. O norueguês reconheceu o talento do algoz: “Esperava uma partida difícil, e foi. Ele não tem muitos pontos fracos no jogo. Já venceu muitos jogadores de primeiro nível, incluindo o Novak há dois dias”. Rendendo-se ao talento do jovem, Ruud concluiu afirmando que é “realmente impressionante” a maneira como o brasileiro joga.