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Existe uma máxima no mundo jurídico de que não existe autoridade que, em sã consciência, não deseje ser indicado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Por diferentes contingências, as exceções conhecidas são Luiz Carlos Sigmaringa Seixas, que negou um convite de Lula há mais de 20 anos, e Jorge Oliveira, pupilo de Jair Bolsonaro que acabou no Tribunal de Contas da União (TCU).
Um movimento recente do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Luiz Philippe Vieira de Mello Filho gerou em integrantes do STF a convicção de que o magistrado trabalha para afagar o Planalto e tentar suprir o vácuo aberto com a rejeição do nome do advogado-geral da União Jorge Messias para o posto.
Em tempos de polarização, o ministro do TST deu munição a críticas depois de mencionar semanas atrás que existem na Corte “ministros vermelhos e azuis”, conforme o grau de ativismo em defesa dos trabalhadores, e se colocar na categoria dos primeiros. Com a repercussão, ele negou que tenha adotado viés político na fala e disse em uma sessão do Órgão Especial do TST que “ninguém tem direito de me julgar se eu sou ativista ou não sou ativista. (…) Não sou um juiz parcial, não. Eu tenho 40 anos quase de história como magistrado”.
O episódio foi duramente criticado no Supremo por ter sido interpretado como uma cartada para que o integrante do TST pudesse ocupar a vaga aberta com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso.
A última egressa do TST na mais importante Corte de justiça do país foi Rosa Weber. Com a rejeição de Messias, o presidente Lula lançou a hipótese de indicar novamente o advogado-geral ao posto, em embate frontal contra o Senado, que já o havia rejeitado, mas interlocutores do PT avaliam que o ideal seria indicar uma mulher ou um negro para a Corte, marcando uma posição de diversidade em um governo que, mesmo que em boa parte somente no papel, se anuncia como progressista.