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No conforto de seu próprio consultório, o psicólogo Caio Barone (Selton Mello), protagonista da série Sessão de Terapia, é confiante, paciente e calmo enquanto escuta as agruras que atormentam seus pacientes. Como Morena (Alice Carvalho), que lida com as dificuldades de conviver com o Alzheimer do pai, um dos dilemas apresentados pela sexta temporada, que acaba de estrear no Globoplay, com cinco episódios de um total de 35, que chegam ao streaming da Globo semanalmente. Sem periodicidade fixa para novas temporadas, o programa teve início em 2012 e, de lá para cá, só cresceu em relevância.

DIÁLOGOS - Uzo Aduba em In Treatment: a dificuldade em deixar os problemas fora do trabalho
DIÁLOGOS - Uzo Aduba em In Treatment: a dificuldade em deixar os problemas fora do trabalho (Suzanne Tenner/HBO)

No enredo, o psicólogo Caio dá conselhos, faz provocações pertinentes e deixa claro que Morena não está sozinha em sua jornada de autocuidado. Qualquer imagem de dono absoluto da verdade e das respostas se desfaz em seguida, quando Caio muda de posição e se senta no sofá da colega de profissão Rosa (Grace Passô) para uma consulta de supervisão — encontro em que um psicólogo se reúne com outro para analisar os casos que está atendendo. Ele se abre e deixa sair os próprios demônios que o atormentam, como a relação delicada com os pais e a gravidez inesperada da irmã, casada com um sujeito que ele considera inútil. “O psicólogo também sofre com problemas, dramas e questões para resolver. Não é um super-herói sentado naquela cadeira, ajustando a vida dos outros”, analisa Mello, também diretor da série, em entrevista a VEJA. “É interessante falar abertamente sobre essas contradições humanas”, completa Grace.

Alinhadas ao momento atual, em que o interesse pela saúde mental cresceu, deixando de ser tabu para se tornar assunto em escolas e empresas, outras séries de TV entraram nesse universo, colocando terapeutas no protagonismo — e também no divã. A figura que causa fascínio e desconfiança vem sendo retratada, ao menos nas produções dignas de nota, como ela de fato é: um profissional treinado, que estuda diferentes correntes da psicoterapia, e capaz de ajudar pacientes, sem deixar de ser humano, com seus próprios dilemas.

TENSÃO - O Paciente: terapeuta é prisioneiro de psicopata que quer respostas
TENSÃO – O Paciente: terapeuta é prisioneiro de psicopata que quer respostas (Suzanne Tenner/FX Networks/.)
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Desmistificar a ideia do psicólogo irretocável é também a base da série israelense BeTipul, pioneira que ganhou mais de trinta versões ao redor do mundo, entre elas a brasileira estrelada por Selton Mello e a americana In Treatment, disponível na HBO Max. Com diferentes atores em suas temporadas, a produção foi encabeçada pela última vez, em 2021, por Uzo Aduba como a terapeuta Brooke. Profissional diante dos pacientes e problemática nos bastidores, ela luta contra o alcoolismo e vive uma relação ioiô com um ex-namorado, enquanto enfrenta a solidão após a morte do pai.

Mais leve e fofa, Falando a Real, da Apple TV, também usa o luto como ponto de partida ao observar o dia a dia em uma clínica. Na trama, Jimmy (Jason Segel) vai ao fundo do poço após a morte da esposa e passa a negligenciar a filha, Alice (Lukita Maxwell), assim como os pacientes de seu consultório — espaço dividido com o veterano Paul (Harrison Ford). Desafiando a lógica da profissão, segundo a qual o psicólogo deve conduzir a pessoa atendida a descobrir as próprias respostas, Jimmy dá uma banana para a ética e oferece recomendações diretas sobre como cada um deveria agir. Claro, isso não dá certo, mas provoca risadas e até lágrimas.

APOIO - Harrison Ford e Lukita Maxwell em Falando a Real: o dia a dia de uma clínica de profissionais da área
APOIO - Harrison Ford e Lukita Maxwell em Falando a Real: o dia a dia de uma clínica de profissionais da área (Apple TV/.)
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Mais surpreendente ainda é a minissérie O Paciente, do Disney+, com Steve Carrell como um terapeuta sequestrado por um assassino em série. O rapaz quer parar de matar — e precisa que o psicólogo lhe diga como. Ele, então, mergulha na mente do psicopata — para quem talvez só um “intensivão” seja insuficiente. Dramas psicológicos representam um filão clássico do cinema e da TV. A novidade agora são essas novas produções que jogam luzes sobre as encucações de quem cuida dos conflitos alheios.

Publicado em VEJA de 22 de maio de 2026, edição nº 2996



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