O deputado federal Rodrigo Valadares (PL-SE) destinou R$ 2,5 milhões em emendas parlamentares para a Associação Ação Social Maneca Sobral, em Itaporanga D’Ajuda (SE), entidade registrada em nome de uma pessoa, mas que, na prática, é administrada por outra.

O parlamentar, apontado como “padrinho” da ONG, tem o nome estampado em banners fixados nas paredes do local onde a associação funciona.

Deputado Rodrigo Valadares (União-SE) foi o relator do PL da Anistia na CCJ da Câmara
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Deputado Rodrigo Valadares (União-SE) foi o relator do PL da Anistia na CCJ da Câmara

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Deputado Rodrigo Valadares
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Deputado Rodrigo Valadares

Mário Agra/Câmara dos Deputados

Deputado do PL envia R$ 2,5 milhões a ONG com gestão paralela e vira estrela em divulgação - imagem 3

As emendas foram indicadas por ele em 2024 e liberadas para quatro iniciativas: o “Energia Social”, de R$ 1 milhão, voltado à qualificação profissional de 625 pessoas; o “Gol de Placa”, com R$ 500 mil; o “Talento & Arte”, também de R$ 500 mil; e o “Gol da Inclusão”, que recebeu R$ 499.918,54.

A associação é presidida por Vidal Barreto da Silva Abreu, que, no mesmo período das indicações, atuava como assessor administrativo na Emsurb, empresa de limpeza urbana da Prefeitura de Aracaju, com carga horária de 200 horas mensais e salário líquido de R$ 2.129.

Na prática, ele cumpria jornada de cerca de nove horas diárias no órgão público enquanto também ocupava a presidência da entidade.

À coluna, o deputado Rodrigo Valadares informou que Vidal não integra mais a prefeitura, mas não foi detalhada a data exata do desligamento. Já o Portal da Transparência indica que ele permaneceu vinculado ao órgão ao longo de 2025.

Segundo apurou a coluna, a gestão efetiva da associação seria conduzida pelo empresário do setor automotivo e ex-assessor da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) Manoel Conde Sobral Neto que se apresenta nas redes sociais como voluntário da ONG.

A entidade foi fundada por seu pai, Manoel Sobral Neto, conhecido como Maneca Sobral, ex-vereador, servidor do Sebrae e ativista social em Sergipe.

Foi Manoel Conde Neto quem recebeu Rodrigo Valadares em visita à associação no dia 7 de novembro de 2025, ocasião em que também esteve presente o vereador Elder Silveira Sobral, conhecido como “Junior de Celinha”.

Em publicação nas redes sociais, a entidade afirmou que o deputado conheceu as atividades desenvolvidas e acompanhou o projeto “Novo Olhar”, que oferece cirurgias oftalmológicas gratuitas.

Nomes em banners

O nome do deputado federal Rodrigo Valadares também aparece em banners fixados nas paredes da associação (veja foto).

Como já mostrou a coluna, o parlamentar destinou R$ 4,3 milhões em emendas a um hospital que leva o nome de seu pai, o ex-deputado Pedrinho Valadares.

Questionado sobre possível promoção pessoal vinculada ao uso de recursos públicos, o deputado afirmou ver com estranheza a pergunta da coluna..

Em resposta, declarou que o acompanhamento de serviços públicos e de entidades parceiras faz parte do exercício do mandato.

 “Cabe ao mandatário acompanhar os serviços desempenhados pelo Estado, Municípios e terceiro setor. Nossa presença nesta e em muitas outras entidades é quotidiana. Da mesma forma que o atual presidente da república vai a uma inauguração de uma obra ou verifica como estão os serviços em uma Universidade Federal “in loco”. E quem tem que achar se isso é “promoção pessoal” não somos nós, mas sim a Justiça que de forma incontestável já decidiu que não caracteriza. É, apenas e tão somente, o exercício regular do mandato popular conferido ao político”, declarou.

No entanto, auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), no entanto, apontam que o uso de emendas parlamentares — especialmente transferências especiais e repasses a organizações do terceiro setor — pode configurar “inconformidades” quando associado à promoção pessoal de agentes públicos.

A associação e seu presidente foram procurados pela coluna, mas não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

Veja a nota do deputado na íntegra

É importante esclarecer, primeiramente, que os recursos ora motivo de questionamento foram destinados ao respectivo Ministério do Governo Federal, com a indicação da associação como entendida beneficiada. Toda parte de credenciamento, aprovação do plano de trabalho, pagamento, fiscalização e prestação de contas cabe, por força de lei, ao respectivo Ministério.

Estes recursos foram executados ao longo de 12 meses em atendimento a mais de 2.500 crianças por mês, em diversos municípios do território sergipano. O que acarreta num custo mensal de R$ 80,00 (oitenta reais) por criança.

E quem são essas crianças atendidas? Esses projetos são, em sua grande maioria, voltados a inclusão social. São atendidas crianças atípicas, portadoras do TEA (autistas), neurodivergentes, PCDs entre outras. Além das dificuldades diárias que enfrentam essas crianças e seus pais, ainda enfrentam o descaso do Governo do Estado. São crianças em situação de vulnerabilidade social, ou seja, carentes e que infelizmente o Estado não cuida.

Em relação aos questionamentos sobre o quadro diretivo da referida associação, é importante esclarecer que nosso mandato não possui nenhum tipo de ingerência na escolha do mesmo, bem como sobre o funcionamento administrativo desta. A nossa única função, enquanto mandatário do povo, é a indicação de recursos que possam ajudar ao nosso povo sergipano e especificamente nesse caso, as crianças em situação de vulnerabilidade social.

Ainda assim, após o apontamento dessa matéria, fomos apurar as informações sobre o tema e tomamos conhecimento de que os diretores não são remunerados, ou seja, são voluntários. Também apuramos que o atual presidente da entidade, Vidal Barreto da Silva Abreu, não ocupa nenhum cargo público.

Respondendo ainda quais critérios utilizados para a indicação ao Ministério dessa associação em específico, respondemos que os critérios são escolhidos pelo próprio Ministério que a classificou como apta para recebimento dos recursos e pagou os projetos. Ademais, é uma instituição constituída há mais de 40 anos que recebe emendas de diversos parlamentares sergipanos e atua em inúmeros projetos sociais em todo o território sergipano.

Nos causa estranheza o questionamento sobre uma suposta “ promoção pessoal vinculada a recursos públicos”. Ora, cabe ao mandatário acompanhar os serviços desempenhados pelo Estado, Municípios e terceiro setor. Nossa presença nesta e em muitas outras entidades é quotidiana. Da mesma forma que o atual presidente da república vai a uma inauguração de uma obra ou verifica como estão os serviços em uma Universidade Federal “in loco”. E quem tem que achar se isso é “promoção pessoal” não somos nós, mas sim a Justiça que de forma incontestável já decidiu que não caracteriza. É, apenas e tão somente, o exercício regular do mandato popular conferido ao político.

Em relação aos apontamentos envolvendo suposto sobrepreço em itens adquiridos no âmbito dos projetos, esclarecemos que compete ao Ministério responsável credenciar a entidade, aprovar os planos de trabalho, validar as tabelas referenciais de preços, de acordo com suas próprias tabelas, efetuar os pagamentos diretamente aos fornecedores conforme os preços destas tabelas e acompanhar a execução financeira e contratual dos recursos.

Diferente dos Sindicatos que se envolveram até em roubos de aposentados, no caso dessa associação os recursos sequer passam pelas contas bancárias da entidade beneficiária, sendo geridos exclusivamente pelo Ministério através do plano de trabalho que o próprio Ministério referido aprovou. Sendo este o responsável pela fiscalização e prestação de contas.

Nos causa muita preocupação este questionamento de suposto sobrepreço pois, se efetivamente for comprovado, o Ministério supostamente estaria aprovando planos de trabalho, contratualizando e pagando fornecedores em todo o território brasileiro com tabelas que possuem sobrepreço. Caso realmente proceda, é um escândalo de dimensão nacional e precisa ser investigado.

Sendo assim, nosso mandato se coloca à disposição para fazermos um requerimento formal em conjunto com a reportagem, para saber se existem tabelas nos Ministérios com itens superfaturados.

 

 



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