O Irã classificou as divergências com os Estados Unidos como “profundas e significativas”, sinalizando que as negociações em curso entre os dois países enfrentam obstáculos consideráveis.
O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores iraniano afirmou que detalhes relacionados à questão nuclear não estão sendo discutidos com Washington nesta fase das tratativas.
Em meio a informações desencontradas ao longo da semana, secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio declarou que houve algum progresso nas negociações, mas adotou tom cauteloso.
“Eu não exageraria e também não minimizaria. Ainda há trabalho a ser feito, ainda não chegamos lá, mas eu espero que nós cheguemos”, afirmou Rubio, segundo relatou a correspondente da CNN Priscila Yazbek, de Nova York.
Dois principais pontos de impasse
Fontes do governo iraniano e a agência de notícias Reuters indicaram, na úlquinta-feira, que, embora as diferenças entre os lados tenham diminuído, ainda existem pontos críticos de impasse.
O primeiro diz respeito ao urânio enriquecido mantido pelo Irã, estimado em cerca de 440 kg. Os Estados Unidos argumentam que o material seria utilizado para fabricar uma arma nuclear, enquanto o Irã sustenta que seu uso é destinado a fins pacíficos.
Washington teria solicitado a entrega desse material, pedido que Teerã recusou. Entre as alternativas aventadas, estaria a possibilidade de o Irã transferir o urânio enriquecido a um país aliado, como a Rússia.
O segundo ponto de impasse envolve o controle do Estreito de Ormuz, hidrovia responsável por 1/5 do fluxo de petróleo global.
O Irã vem exercendo controle sobre a passagem, permitindo apenas a navegação de navios aliados ou daqueles que pagam algum tipo de taxa.
Rubio classificou as condições exigidas pelo Irã como “inaceitáveis”, acrescentando que seria necessário um plano alternativo caso o país se recuse a reabrir a hidrovia.
Ele também afirmou que os Estados Unidos não solicitaram auxílio da OTAN para atuar no local.
Mediação árabe e pressão diplomática
Países do Golfo Pérsico teriam pedido que não houvesse retomada dos ataques, a fim de preservar o espaço para o avanço das negociações.
O presidente americano, Donald Trump, que havia anunciado na última terça-feira (19) estar preparando um ataque contra o Irã, teria recuado diante desses apelos.
Além disso, Trump cancelou uma viagem ao casamento do filho, que ocorreria nas Bahamas no fim de semana, citando a situação ligada ao Irã como justificativa.
De acordo com David Sanger, colunista da CNN e do The New York Times, após uma reunião com Dan Caine, chefe das Forças Armadas americanas, existe a possibilidade de que os Estados Unidos estejam preparando novos ataques ou uma retomada dos combates ainda nesta semana.
O cenário atual das negociações, segundo Priscila Yazbek, indica um retrocesso em relação ao estágio anterior ao conflito, quando os dois países discutiam uma pausa no programa nuclear iraniano.
Com o Irã tendo assumido o controle do Estreito de Ormuz, o foco das tratativas se reduziu, essencialmente, à reabertura da hidrovia, sem qualquer compromisso iraniano de suspender seu programa nuclear.