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A abertura de um novo salão paulistano e a expansão para Portugal marcam seus cinquenta anos de carreira. O que este momento representa? As coisas na minha vida nunca foram planejadas. O salão em Lisboa surgiu porque um profissional que trabalhou comigo foi morar lá, conseguiu um investidor e me chamou. Quando vi, já estava acontecendo. Mas quero crescer, ter linha de maquiagem, skincare. Já falamos em Paris e Milão. Ainda tenho muitos sonhos.

Sua imagem sempre foi chamativa. Como lida com o preconceito? Sempre dei muita pinta. Japonês, cabelão, afeminado… ouvi muita coisa. Na época, a gente nem entendia direito que era preconceito, achava que a culpa era nossa. Uma vez acharam que meu carro era da Claudia Raia porque ninguém imaginava que o maquiador pudesse ter uma BMW. Mas nunca liguei e nem sofri por causa disso. Não estou nem aí.

Entre suas clientes estreladas, Angélica é das mais antigas, não? Sim. Quando a Angélica apareceu, pensei: “É essa que eu quero”. Foi num momento em que ela não queria mais trabalhar com crianças, uma transformação importante. Ela me apresentou ao universo das celebridades e da TV, mas virou amizade de verdade. Não é só cabelo, é companhia, conversa. Estive com Angélica no casamento, na maternidade, na fase de amadurecimento. E sempre fui discreto.

E as clientes da política, como Marta Suplicy e Dilma Rousseff? A Marta me apresentou para a alta sociedade paulista. Depois veio a Dilma, que me popularizou no país inteiro. Como era presidente, cuidava dela em momentos tensos. Já lavei o cabelo da Dilma na pia do aeroporto. Ela confia em mim e eu consigo acalmá-la.

Como analisa as diferenças estéticas entre as musas da direita e da esquerda? Todas elas são observadas onde quer que estejam. Por muito tempo, tentaram esconder a feminilidade para parecer mais sérias. É um erro. Beleza é poder. A direita costuma gostar de mulheres mais produzidas, com visual mais construído, polido e controlado. A esquerda já vai para um lado mais natural e menos performático.

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Como equilibra o trabalho entre moda e salão? A moda me mantém criativo. Até hoje faço desfiles do Alexandre Herchcovitch. Aprendi que há beleza para todo mundo, sabedoria que levei para o salão. Não acho nada cafona. O importante é a mulher se sentir bonita.

Publicado em VEJA de 22 de maio de 2026, edição nº 2996



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