O peruano Ignacio Buse vive a melhor fase da carreira e se tornou uma das grandes histórias da semana no tênis mundial. Aos 22 anos, o atleta está na final do ATP 500 de Hamburgo após uma campanha improvável no saibro alemão, que incluiu vitórias sobre jogadores mais experientes e consolidados no circuito.

Algoz de João Fonseca no Rio Open deste ano, Buse derrotou o estadunidense Aleksandar Kovacevic por 2 sets a 0, com parciais de 6/1 e 6/4, e garantiu vaga inédita na decisão do torneio. Antes disso, o peruano já havia eliminado o atual campeão Flavio Cobolli, além de nomes como Jakub Mensik e Ugo Humbert.

A campanha chama ainda mais atenção porque Ignacio precisou disputar o qualifying para entrar na chave principal. Ele se tornou apenas o sexto jogador vindo do quali a alcançar a final do ATP 500 de Hamburgo e o primeiro a conseguir o feito desde 2018, quando o georgiano Nikoloz Basilashvili chegou à decisão do torneio.

Da infância no Peru ao salto no ranking

Nascido no Peru, Ignacio Buse começou a jogar tênis ainda muito pequeno no Country Club de Villa, onde seu pai, Hans, trabalhava como treinador. Em entrevistas, o próprio atleta costuma dizer que “cresceu com uma raquete na mão” e que começou no esporte aos dois ou três anos de idade.

Destaque nas categorias de base, Buse chegou ao nono lugar do ranking mundial juvenil da ITF em 2022. Naquele mesmo ano, fez final de duplas de Roland Garros juvenil e semifinal do US Open juvenil ao lado do compatriota Bueno.

O peruano chegou a se comprometer com a Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, mas optou por não seguir no tênis universitário e decidiu se profissionalizar. Depois disso, mudou-se para Barcelona, onde passou a treinar no Tennis Empowerment Centre Carles Ferrer Salat.

Outro detalhe curioso da trajetória é a proximidade com Albert Costa, campeão de Roland Garros, que atua como uma espécie de mentor do jovem peruano.

Fora das quadras, Ignacio também tem ligação com um nome bastante conhecido da gastronomia internacional. O tio dele é Gastón Acurio, chef renomado e referência da culinária peruana no mundo.

Ascensão meteórica em 2025 e 2026

A evolução de Buse no ranking da ATP impressiona. Em agosto de 2023, ele aparecia apenas na 722ª posição do mundo. Menos de três anos depois, já está próximo da elite do circuito.

O salto mais expressivo aconteceu a partir de 2025. O peruano entrou no top 200 em maio daquele ano e alcançou sua primeira semifinal de ATP em Gstaad, tornando-se o mais jovem tenista do Peru a atingir uma semifinal de nível ATP desde 1989.

Pouco depois, conquistou o primeiro título Challenger da carreira em Heilbronn-Bad Rappenau e estreou em chaves principais de Grand Slam no US Open de 2025.

Agora, a campanha em Hamburgo deve levá-lo pela primeira vez ao top 40 do ranking mundial. Caso conquiste o título, Buse saltará para a 31ª colocação da ATP, ficando logo atrás de João Fonseca, atual número 30 do mundo.

Caminho pode cruzar novamente com João Fonseca

O crescimento do peruano também reacende uma rivalidade recente com João Fonseca. Em fevereiro deste ano, Ignacio surpreendeu o brasileiro no Rio Open e avançou até a semifinal do torneio carioca.

Na época, ele ocupava apenas a 91ª posição do ranking. Desde então, acumulou resultados importantes no saibro e passou a ser tratado como uma das promessas sul-americanas da nova geração.

Depois da final em Hamburgo, Buse seguirá para Roland Garros, onde estreia contra o russo Andrey Rublev. Existe, inclusive, a possibilidade de um novo duelo contra João Fonseca nas quartas de final do Grand Slam francês caso ambos avancem em suas respectivas chaves.



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