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Alvo de uma série de sanções econômicas promovidas por países ocidentais, o governo do Irã tem utilizado criptomoedas para escapar das restrições e movimentar bilhões de dólares. De acordo com informações divulgadas pelo jornal americano The Wall Street Journal na quinta-feira 21, a corretora de criptoativos Binance se tornou uma das principais artérias financeiras do regime, sendo utilizada para transferências que correspondem, em grande parte, ao pagamento de compradores chineses de petróleo iraniano.

Os dados apontam uma quantia milionária de ativos movimentados através de carteiras digitais na Binance vinculadas a entidades iranianas, que têm no centro de tal operação o empresário Babak Zanjani, descrito como um operador “anti-sanção”. Cerca de US$ 850 milhões em transações foram feitas por meio de contas vinculadas a Zanjani e pessoas próximas a ele, como familiares e colegas de empresa — e essas não foram as únicas movimentações suspeitas.

Somente no ano passado, o banco central do Irã teria movimentado US$ 107 milhões em criptomoedas em uma série de transações destinadas a contas na Binance. Dados compilados por uma agência estrangeira e obtidos pelo WSJ apontam para um volume ainda maior entre 2024 e 2025, de cerca de US$ 260 milhões em operações diretas entre contas da plataforma e carteiras digitais ligadas a financiadores iranianos e entidades sancionadas.

As cifras se somariam aos cerca de US$ 1,7 bilhão que investigadores da própria Binance concluíram ter circulado pela exchange em direção a uma ampla rede iraniana, cuja movimentação financeira continuaria ativa, com transações registradas ainda neste mês. Os fundos fazem parte de uma rede de comércio que viola as sanções contra o Irã, com valores sendo depositados, em grande parte, por compradores de petróleo chineses.

O WSJ aponta que tal rede é controlada pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), uma poderosa força militar cuja influência é reconhecida dentro do regime iraniano. A IRGC utiliza os valores obtidos para financiar suas operações, além de apoiar milícias aliadas em todo o Oriente Médio, como o Hamas, Hezbollah e os houthis no Iêmen.

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Corretora diz ter ‘tolerância zero’

Há anos a Binance tem sido apontada como uma porta de entrada para fundos iranianos em criptomoedas devido à facilidade na abertura de contas, que inicialmente não pediam nenhum tipo de identificação. Mesmo com a verificação de identidade obrigatória instaurada em 2021, agentes iranianos seguiram utilizando contas da Binance para fazer negócios em moeda estrangeira.

Em nota, a empresa disse ao WSJ que as informações divulgadas na reportagem eram “imprecisas” e que adota uma política de “tolerância zero para atividades ilícitas”. A Binance também afirma ter reformulado seu programa de compliance em 2024 visando reduzir sua exposição a entidades sancionadas e áreas de alto risco.

“Trabalhamos em estreita colaboração com autoridades policiais de todo o mundo para detectar, prevenir e combater crimes financeiros”, disse um porta-voz da empresa.



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