Levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta quinta-feira (21/5) mostra que a crise na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por causa das ligações do senador carioca com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro não contaminou a candidatura à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A pesquisa traz Tarcísio 13,8 pontos percentuais à frente do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) — 47,3% contra 33,5% —, um cenário de estabilidade na comparação com os levantamentos anteriores e que projeta uma vitória do atual governador ainda no primeiro turno — os outros dois candidatos, Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB), não atingiram nem 5% cada (veja abaixo).
Em abril, a vantagem de Tarcísio sobre Haddad era de 14,7 pontos. A oscilação registrada agora ficou dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2,5 pontos para mais ou para menos.
As entrevistas com os 1.640 eleitores paulistas ouvidos pelo instituto foram realizadas entre os dias 18 e 20 de maio, praticamente uma semana depois da divulgação do áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que será lançada neste ano.
A revelação da conexão entre Flávio e o dono do Banco Master, que teria transferido ao menos R$ 61 milhões para um fundo criado pela família Bolsonaro nos Estados Unidos supostamente para financiar o filme, caiu como uma bomba da campanha presidencial do filho 01 do ex-presidente da República.
Desde então, Tarcísio fez uma única agenda conjunta com Flávio Bolsonaro em São Paulo, onde minimizou o impacto do caso Master na campanha do aliado, e depois adotou um distanciamento estratégico do senador, que caiu 5,4 pontos na pesquisa AtlasIntel divulgada nesta semana.
“A pesquisa mostra um quadro estável e que o efeito Flávio Bolsonaro não atingiu o Tarcísio. O cenário continua muito favorável para o governador e, provavelmente, teremos em São Paulo uma eleição de um turno só, por falta de candidatos”, afirma Murilo Hidalgo, diretor do instituto Paraná Pesquisas.
Ele lembra que o noticiário do último mês foi mais negativo do que positivo para Tarcísio. Além do caso envolvendo Flávio e Vorcaro, o governador teve de lidar com a explosão que matou duas pessoas no Jaguaré, na zona oeste da capital paulista, durante uma obra realizada pela Sabesp, estatal de saneamento que foi privatizada por Tarcísio.
Primeiro turno
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 47,3%
- Fernando Haddad (PT): 33,5%
- Paulo Serra (PSDB): 4,3%
- Kim Kataguiri (União Brasil): 3,4%
- Nenhum/Branco/Nulo: 6,5%
- Não sabe/Não opinou: 5,1%
No levantamento realizado em abril, Tarcísio tinha, nesse mesmo cenário, 47,8% das intenções de voto, contra 33,1% de Haddad.
Em um eventual segundo turno entre Tarcísio e Haddad, segundo a Paraná Pesquisas, a vantagem do atual governador de São Paulo contra o petista caiu para 15,1 pontos, mas se manteve próxima da pesquisa passada, que era de 16,1 pontos. Em fevereiro deste ano, a vantagem era de 26,3 pontos.
Segundo turno
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 52,7%
- Fernando Haddad (PT): 37,6%
- Nenhum/Branco/Nulo: 5,8%
- Não sabe/Não opinou: 3,5%
Rejeição aos candidatos
- Fernando Haddad (PT): 44,9%
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 27,3%
- Kim Kataguiri (Missão): 16,5%
- Paulo Serra (PSDB): 15,1%
- Não sabe/não opinou: 9,8%
- Poderia votar em todos: 6,2%
Aprovação do governo Tarcísio
- Aprova: 64,4%
- Desaprova: 31,5%
- Não Sabe/Não Opinou: 4,1%
A pesquisa ouviu presencialmente 1.640 eleitores em 82 municípios, entre os dias 18 e 20 de maio. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos. O grau de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o n.º SP-02706/2026.








