Quando The Mandalorian (2019-2023) havia acabado de lançar seus primeiros episódios e o tal “Bebê Yoda” ainda não tinha o nome “Grogu”, imagens suas se espalharam pela internet com a velocidade de uma nave espacial e garantiram que a saga Star Wars permaneceria relevante no imaginário popular — um milagre em meio ao desempenho frustrante de Ascensão Skywalker (2019), que encerrou a trilogia estrelada por Rey (Daisy Ridley) com nostalgia forçada e pouco comprometimento à dramaturgia. Aquela mudança de paradigma fez com que a produtora Lucasfilm e a Disney recalculassem a rota, se afastassem dos cinemas e investissem em seriados de streaming — que, em pouco tempo, também chegaram à saturação máxima. A solução, hoje, é tentar repetir aquele sucesso inicial da série nos cinemas, com a estreia de O Mandaloriano e Grogu nesta quinta-feira 21 — mas o plano é falho por um motivo incontornável: a mediocridade do longa.

Situada após os eventos da terceira temporada, mas antes de O Despertar da Força (2015), a trama dispensa apresentações e pula logo para a ação, dentro da qual o caçador de recompensas Din Djarin (Pedro Pascal) trabalha ao lado de Grogu sob ordens da coronel Ward (Sigourney Weaver), uma autoridade da Nova República que luta contra facções que tramam para restituir o poder dos vilões do Império Galáctico. Dessa vez, eles têm que localizar o filho do gângster Jabba the Hutt — lembrado por aprisionar Han Solo em O Retorno de Jedi (1983) — a fim de conseguir informações sobre um importante algoz.

Daí começa a série de sequências de ação estreladas pela dupla — repetitivas, em sua maioria, salvo trocas de cenário que levam os personagens de um planeta glacial para uma metrópole futurista, ou do deserto para uma selva. A simplicidade das figuras centrais e das situações não seria um problema, não fosse o tom do filme tão contido, ou os acontecimentos tão inconsequentes.

O apelo de um homem de capacete acompanhado por um super-bebê extraterrestre é cartunesco, mas O Mandaloriano e Grogu se recusa a florear o universo com elementos que correspondam à excentricidade. O exemplo mais grotesco é o filho de Jabba, que é dublado de maneira absolutamente apática por Jeremy Allen White, mais acostumado a interpretar um chef melancólico em O Urso (2022-2026). Para piorar, o alienígena vem de uma espécie conhecida pela aparência de minhoca, mas ganha bíceps e tanquinho devido à experiência como lutador dentro um coliseu espacial. O que poderia ser uma boa piada é tratado com seriedade pela direção de Jon Favreau, que parece avessa ao humor e aos invencionismos proporcionados por uma aventura espacial.

Continua após a publicidade

Rotta the Hutt em 'O Mandaloriano e Grogu'
Rotta the Hutt em ‘O Mandaloriano e Grogu’ (Disney/Divulgação)

O maior respiro do longa é, pasme, Grogu. Quando o adorável fantoche tem liberdade para ocupar a tela ou sozinho, ou acompanhado de outros personagens vividos por bonecos, é possível vislumbrar o potencial do filme para entreter famílias ao redor do mundo. A rusticidade é muito bem-vinda e remete a clássicos dirigidos por Jim Henson dentro do final do século passado, como Labirinto – A Magia do Tempo (1986), estilo charmoso que se tornou raridade graças à ascensão da computação e do realismo enquanto valor artístico.

As peripécias espirituosas deste Gremlin intergaláctico, porém, não são suficientes para transformar O Mandaloriano e Grogu em diversão memorável. Depois de mais de duas horas previsíveis, não há força que combata o cansaço.

Continua após a publicidade

Grogu e seus parceiros: trupe é destaque positivo do filme
Grogu e seus parceiros: trupe é destaque positivo do filme (Disney/Divulgação)

Acompanhe notícias e dicas culturais nos blogs a seguir:

  • Tela Plana para novidades da TV e do streaming
  • O Som e a Fúria sobre artistas e lançamentos musicais
  • Em Cartaz traz dicas de filmes no cinema e no streaming
  • Livros para notícias sobre literatura e mercado editorial



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *