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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 21, a eliminação das restrições a uma série de gases de efeito estufa usados em refrigeradores e aparelhos de ar-condicionado. O republicano classificou como “ridículas” as regulamentações aprovadas por seu antecessor democrata, o ex-presidente Joe Biden, sobre os superpoluentes conhecidos como hidrofluorocarbonos (HFCs).

No Salão Oval, o líder americano disse que a medida reduziria o custo de vida nos Estados Unidos. A interrupção no fornecimento de petróleo causada pela guerra com o Irã fez os preços dispararem, impactando os índices de aprovação do presidente — algo preocupante para o Partido Republicano às vésperas das midterms, eleições que colocam o controle do Congresso em jogo em novembro.

O presidente declarou que está “oficialmente encerrando as ridículas regulamentações do governo Biden”. “Elas são ridículas, desnecessárias e caras, e na verdade pioram a situação”, acrescentou.

Economia?

O governo Trump estenderá os prazos para que supermercados e outras empresas eliminem gradualmente o uso de HFCs, informou a Agência de Proteção Ambiental (EPA) em um comunicado. As regulamentações flexibilizadas remontam a uma lei de 2020, na época considerada um raro sucesso do bipartidarismo no combate às mudanças climáticas. Ela recebeu amplo apoio da indústria.

A EPA afirmou que a mudança economizaria até US$ 2,4 bilhões (R$ 12 bilhões) para os americanos. Especialistas, porém, afirmaram que a medida pouco contribuirá para a redução dos preços dos alimentos, que setor pressionado não só pela alta nos combustíveis, mas também devido ao tarifaço de Trump e às mudanças climáticas.

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“É altamente improvável que essa medida produza qualquer redução perceptível nos preços dos alimentos para os consumidores”, disse ao New York Times David Ortega, economista da Universidade Estadual de Michigan. “Estamos falando de refrigeração, e isso representa uma parcela muito pequena do custo total dos alimentos.”

Impacto ambiental

Cercado por executivos e líderes empresariais do setor no Salão Oval, o republicano afirmou ainda que as mudanças não teriam “impacto negativo”. “Não há preocupações ambientais”, insistiu.

No entanto, os HFCs contribuem enormemente para o aquecimento global. Embora permaneçam na atmosfera por um período mais curto do que o dióxido de carbono, são centenas a milhares de vezes mais potentes na retenção de calor.

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A eliminação gradual desses superpoluentes em todo o mundo poderia evitar um aumento de até 0,5 ºC no aquecimento global até o final do século, o que seria um grande passo para impedir que as piores consequências das mudanças climáticas se concretizem. Mais de 190 nações, incluindo os Estados Unidos, concordaram em reduzir a produção e o uso de hidrofluorocarbonos.

O governo Biden, em particular, tinha a meta de encolher a produção e o consumo de HFCs em 85% até 2036. Isso eliminaria o equivalente a cerca de três anos de poluição climática do setor elétrico.



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