O deputado federal Mario Frias (PL) respondeu, nesta quinta-feira (21/5), via redes sociais, a cobrança que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez a Hugo Motta (Republicanos), para que o presidente da Câmara dos Deputados preste explicações sobre a viagem de Frias ao exterior.
Nas redes sociais, Frias disse que chega ao Brasil na segunda-feira (25/5), “desde já me colocando à disposição de Vossa Excelência, para inclusive um encontro ao vivo”. O STF tenta intimar o deputado para que ele explique as emendas parlamentares destinadas a uma ONG ligada à produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Veja o post no X:
Prezado Ministro Flávio Dino, soube pela imprensa que o senhor gostaria de algumas informações a meu respeito. Estou em agenda oficial, com conhecimento do meu presidente Hugo Mota. Chegarei ao Brasil dia 25 de maio, desde ja me colocando a disposição de Vossa Excelencia, para…
— MarioFrias (@mfriasoficial) May 21, 2026
Prazo de 48 horas
Na quarta (20/5), Flávio Dino deu prazo 48 horas para que Motta explique a viagem de Frias. Dino quer saber sobre a situação funcional e o período autorizado para participação em missão oficial de que o parlamentar alega fazer parte.
O ofício com a cobrança foi expedido após o STF tentar intimar por quase um mês seguido o deputado federal Mario Frias, para que ele explique o repasse de emendas parlamentares destinadas à organização não governamental (ONG) Instituto Conhecer Brasil, ligada à produção do filme Dark Horse, que retrata a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018.
O deputado teria destinado R$ 2 milhões à ONG, segundo denúncia feita ao Supremo. Motta deve explicar sobre uma missão internacional que Frias alega cumprir. O congressista está em Bahrein. A informação foi publicada em primeira mão pela jornalista Camila Bonfim, do G1, e confirmada pelo Metrópoles.
Nova tentativa
A última tentativa de intimação partiu de uma ação da deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP) que requisita a apuração de repasses de emendas parlamentares para o que classificou como um “ecossistema de pessoas jurídicas interconectadas”.
Segundo a denúncia, Mario Frias – que, além de parlamentar, é produtor-executivo do filme – repassou valores oriundos de emendas parlamentares à ONG “Instituto Conhecer Brasil”.
São questionados repasses às seguintes Ongs:
- Instituto Conhecer Brasil;
- Academia Nacional de Cultura;
- Go Up Entertainment; e
- Conhecer Brasil Assessoria.
Segundo a denúncia de Tábata ao STF, todas essas organizações estariam sob comando de Karina Ferreira da Gama, produtora cultural ligada à produção do filme Dark Horse.
O ministro Flávio Dino, relator da ação, decidiu intimar os deputados federais Mario Frias, Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS). A decisão é do dia 21 de março, no âmbito da ADPF 854.
De acordo com a denúncia, a ONG Academia Nacional de Cultural também teria recebido cerca de R$ 2,6 milhões de parlamentares como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon.
O filme Dark Horse entrou na pauta novamente após a divulgação de um áudio do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, no qual ele cobra dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para a produção do filme.