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O ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, de extrema direita, publicou nesta quarta-feira, 20, um vídeo no qual dezenas de ativistas detidos da mais recente flotilha humanitária rumo à Faixa de Gaza caminham ajoelhados, com as mãos amarradas e os rostos virados para o chão, uma humilhação que gerou condenação dentro e fora de Israel.

De madrugada, o Ministério das Relações Exteriores do país anunciou que os 430 integrantes da Flotilha Global Sumud, composta por cerca de 50 barcos e interceptada na segunda-feira 18 em frente à costa de Chipre, estavam sendo transferidos para território israelense. Nesta quarta, as imagens da chegada publicadas na conta de Ben Gvir no X (ex-Twitter) vieram acompanhadas da mensagem “Bem-vindos a Israel”.

No vídeo, dezenas de ativistas aparecem no convés de um navio militar, com o hino de Israel ao fundo, e também já detidos em um centro de segurança, onde o ministro agita a bandeira nacional.

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Esta é a terceira vez em um ano que o grupo tenta romper o bloqueio israelense a Gaza, território devastado pela guerra e em grave escassez de suprimentos desde o início do conflito desencadeado em outubro de 2023 por um ataque terrorista do Hamas contra Israel. Na última ocasião, um ativista brasileiro, Thiago Ávila, foi detido por dias enquanto era submetido a interrogação por autoridades israelenses.

Indignação

O vídeo provocou indignação imediata. O chanceler israelense, Gideon Saar, do partido de direita Nova Esperança, condenou o colega de gabinete. “O senhor causou dano conscientemente ao nosso Estado com essa exibição vergonhosa, e não é a primeira vez”, escreveu ele no X. “O senhor jogou por terra os enormes, profissionais e bem-sucedidos esforços de tanta gente (…) Não, você não representa Israel”, completou.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também criticou o comportamento de seu chefe de Segurança Nacional. “Israel tem pleno direito de impedir que as flotilhas provocadoras de simpatizantes terroristas do Hamas entrem em nossas águas territoriais e cheguem a Gaza. No entanto, a forma como o ministro Ben Gvir tratou os ativistas da flotilha não está em linha com os valores e as normas de Israel”, afirmou, pedindo, por fim, que os ativistas sejam expulsos “o mais rápido possível”.

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Para o Hamas, que ainda governa Gaza apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro passado prever seu desmantelamento, as imagens são uma demonstração da “depravação moral” de Israel.

“Afirmamos que as cenas de tortura e humilhação orquestradas pelo ministro sionista, criminoso e fascista Ben Gvir são a expressão da depravação moral e do sadismo que regem a mentalidade dos dirigentes da entidade inimiga criminosa”, reagiu o grupo em comunicado.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o chanceler Antonio Tajani também criticaram o tratamento aos ativistas. “É inadmissível que esses manifestantes, entre os quais há muitos cidadãos italianos, sejam submetidos a um tratamento que atenta contra a dignidade humana”, declararam em um comunicado conjunto.



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