O cosmonauta Sergei Krikalev é protagonista de um dos episódios mais singulares da exploração espacial. Ele detém uma marca científica para poucos.

Devido à velocidade de seus deslocamentos orbitais, ele é tecnicamente um viajante do tempo, retornado à Terra frações de segundo mais jovem do que se tivesse permanecido no planeta.

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Lançado em maio de 1991 rumo à estação Mir, ele partiu como cidadão da União Soviética (URSS) e retornou, 311 dias depois, a um mundo geopoliticamente transformado.

A ciência por trás da “juventude”

A história de Krikalev também ilustra a Teoria da Relatividade de Einstein. A experiência do cosmonauta soviético foi inspiração para apresentação de Colin Stuart, astrônomo e escritor, sobre a teoria no TedEd, uma das iniciativas educacionais mais famosas do mundo.

Devido ao efeito conhecido como dilatação do tempo, relógios em objetos que se movem a altas velocidades em relação à Terra marcam o tempo de forma mais lenta.

Como Krikalev acumulou 803 dias, 9 horas e 39 minutos em órbita ao longo de sua carreira, somando diversas missões, a velocidade de aproximadamente 27.000 km/h na qual viajava fez com que o tempo passasse mais devagar para ele.

Ao final de sua trajetória espacial, ele viajou para o próprio futuro em 0,02 segundos. Em termos práticos, ele envelheceu esse pequeno intervalo de tempo a menos do que as pessoas que ficaram na superfície terrestre.

“O último cidadão soviético”

Apelidado de “o último cidadão soviético”, Krikalev ficou em um impasse burocrático e financeiro. O suporte terrestre e o financiamento para missões de resgate foram afetados pela crise econômica russa.

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Seu retorno só foi possível em 25 de março de 1992, após a Alemanha pagar US$ 24 milhões para enviar um piloto próprio e trazer o cosmonauta de volta na cápsula Soyuz TM-13.

Ao pousar no Cazaquistão, o país que o enviara ao espaço não existia mais no mapa.

Legado na exploração espacial

Apesar das dificuldades, Krikalev continuou sua carreira na Roscosmos e na Nasa.

Ele integrou a primeira missão de montagem da Estação Espacial Internacional (ISS) em 1998 e foi membro da Expedição 1, a primeira ocupação humana permanente da estação em 2000.

Por sua resiliência e contribuições técnicas, recebeu os títulos de Herói da União Soviética e Herói da Rússia.



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