A 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, conhecida como Marcha dos Prefeitos, começou na segunda-feira (18/5) e segue até esta quinta-feira (21/5), na capital federal. O evento reúne, anualmente, prefeitos, vereadores, secretários e gestores municipais de todo o país.
Além dos debates sobre pautas de interesse local, a edição deste ano inclui encontros com pré-candidatos à Presidência da República. Organizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), a iniciativa repete o formato adotado em edições anteriores, com a participação de um presidenciável por vez.
Ao todo, cinco nomes estão previstos na programação: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado, mas, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), não há previsão de participação. A CNM também afirma não ter recebido resposta ao convite feito para o petista.
Flávio é ovacionado em meio a gritos de “Vorcaro”
O primeiro a participar foi o senador Flávio Bolsonaro, que falou na tarde dessa terça-feira (19/5). Em discurso, ele criticou o governo Lula, apresentou propostas em áreas como saúde e defendeu mudanças na segurança pública, incluindo o treinamento de guardas municipais para o uso de armas de fogo em serviço.
A fala foi ovacionada por parte do público, mas também houve manifestações contrárias. Gritando “Vorcaro”, participantes mencionaram a relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, revelada recentemente, e emendaram com gritos de “rachadinha”, em referência a acusações envolvendo seu período como deputado estadual no Rio de Janeiro.
Sem citar diretamente Lula, Flávio também criticou a ausência de pré-candidatos no evento, classificando como “um grande desrespeito” a falta em uma agenda que, segundo ele, é central para quem disputa o Palácio do Planalto.
Mais cedo, diferentemente de anos anteriores, o presidente não participou da abertura por cumprir agendas em São Paulo. Ele foi representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que discursou no evento e foi vaiado por parte do público.
A Marcha dos Prefeitos costuma registrar recepção crítica ao chefe do Executivo federal. Nas edições de 2024 e 2025, Lula foi alvo de vaias e de gritos contrários por parte de gestores municipais da oposição.
Inicialmente, a CNM havia previsto um formato com cinco perguntas padronizadas para todos os participantes, além de uma questão formulada por prefeitos a ser sorteada.
Após a participação de Flávio Bolsonaro, que fez um discurso livre de cerca de 30 minutos, a entidade informou que os convidados poderão escolher entre responder às perguntas ou fazer uma exposição geral que contemple os temas propostos.
O que é a Marcha dos Prefeitos
- A Marcha dos Prefeitos chega à 27ª edição com o tema “O Brasil que dá certo nasce nos Municípios”. Neste ano, o evento reúne mais de 15 mil gestores municipais — o maior público já registrado.
- Considerado o maior encontro municipalista da América Latina, é promovido anualmente pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) e reúne gestores em Brasília para defender maior autonomia, debater pautas locais e pressionar o governo federal e o Congresso Nacional por recursos.
- A programação inclui temas centrais da agenda municipalista, como distribuição dos royalties do petróleo, reforma tributária, educação, emergência climática, consórcios públicos e saneamento.
- Além dos debates, a vinda de milhares de prefeitos para o evento promove a tradicional peregrinação em gabinetes de parlamentares no Congresso, em busca de apoio para demandas e projetos dos municípios.
- A programação segue até esta quinta-feira (21/5).
Programação
Nesta quarta-feira (20/5), às 10h, está prevista a participação do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Às 15h, será a vez do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
Na quinta-feira (21/5), último dia do evento, falam Augusto Cury, às 9h, e Renan Santos, às 10h.
Inicialmente, o ex-ministro Aldo Rebelo (DC) também participaria, mas teve presença cancelada após o partido Democracia Cristã anunciar a escolha de outro nome para a disputa presidencial: o do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa.
Segundo a CNM, a decisão seguiu o critério de manter no painel apenas pré-candidatos formalmente colocados na corrida ao Planalto.
“A CNM, diante da nota oficial do Partido da Democracia Cristã (DC), que nomeou outro candidato à pré-candidatura pelo partido, teve a preocupação de alterar a participação na programação do painel dos presidenciáveis, visto que a exigência neste é limitada aos pré-candidatos à presidência da República. Sendo assim, após uma decisão acertada no Conselho Político da CNM, visando à equidade com os demais participantes, decidiu-se por cancelar a participação de Aldo Rebelo (DC)”, diz nota da Confederação enviada ao Metrópoles.








