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Ao menos três mulheres descobriram que estavam registradas em suas carteiras de trabalho como “presidente da República” desde 2002, após terem atuado como servidoras da prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife, em Pernambuco.
O primeiro caso é da técnica de enfermagem Aldenize Ferreira, 46, que veio à tona em uma reportagem da TV Globo Nordeste veiculada na última segunda-feira, 18. Em entrevista, a mulher disse ter ficado surpresa ao descobrir que era ‘presidente da República’ há 24 anos (tempo equivalente a seis mandatos), mesmo estando desempregada e sem renda.
A descoberta ocorreu na semana passada, quando ela procurava um emprego na Agência do Trabalhador da cidade. “Eu disse que não trabalhava, mas eles disseram: ‘trabalha há 24 anos e dois meses, e o seu cargo é o de presidente da República’. Eu fiquei chocada, sem entender, porque desempregada, sem renda e presidente da República? Fui na frente da tela do computador e disse ‘você vai ter que me mostrar, porque eu só acredito vendo’. Eu tirei uma foto desse documento”, declarou Aldenize.
Após o caso dela ser divulgado na imprensa local, outra duas mulheres também descobriram o mesmo problema em suas carteiras de trabalho e vieram a público para informar a situação.
Claudia da Silva, 53, concluiu o curso de magistério e trabalhou como educadora infantil em escolas municipais antes de 2002. Ela descobriu que também estava registrada como presidente da República quando conseguiu um novo emprego há sete meses. Apesar da situação, ela conseguiu ter a carteira assinada novamente e voltou a ficar desempregada.
Já Suelane Fonseca, 49, descobriu o registro de presidente da República na CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social) há quatro anos e, desde então, não conseguiu corrigir o problema.

Questionada por VEJA, a prefeitura de Jaboatão dos Guararapes informou que o problema foi provocado por um erro na transição do antigo sistema SEFIP (Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) para o ambiente digital do e-Social. “Durante essa migração, houve o registro equivocado de servidores ocupantes de cargo comissionado genérico como ‘presidente da República’ em algumas bases de dados”, diz o texto.
Apesar disso, a gestão municipal não informou quantos casos a mais ainda podem existir. Por outro lado, apontou que, as pessoas que encontrarem esses registros incorretos em suas carteiras de trabalho podem buscar a Unidade de Gestão de Pessoas do município (UGEP), localizada no Palácio da Batalha (Avenida Barreto de Menezes, 1648, em Prazeres), das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira, para solucionar o caso.