Atualmente, a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de que a quantidade mínima de exercício deve ser de 150 minutos por semana. Porém, uma pesquisa chinesa aponta que, na verdade, seriam necessárias 10 horas de exercício semanais para ter benefícios para o coração — quase quatro vezes mais do que a indicação da OMS.
O estudo vai na contramão de algumas pesquisas que sugerem poucos minutos de atividade por dia para começar a perceber resultados e recomenda entre 560 e 610 minutos de exercício semanal. O levantamento foi publicado na revista BMJ nessa terça (19/5).
Foram analisados dados de 17.088 pessoas que fizeram parte do UK Biobank entre 2013 e 2015. A média de idade entre os participantes era 57 anos, 56% eram mulheres e 96% eram brancos. Informações sobre uso de álcool e tabaco, índice de massa corporal, condições anteriores de saúde, frequência cardáica em repouso e pressão sanguínea foram levados em consideração.
Participantes acompanhados por anos
Os voluntários usaram um dispositivo no braço por sete dias consecutivos para registrar os níveis de exercício e completaram um teste de ciclismo para medir a aptidão cardiorespiratória. Eles foram monitorados por 7,8 anos para verificar eventos cardiovasculares.
Os cientistas descobriram que pessoas que faziam 150 minutos de atividade por semana apresentaram até 9% de redução no risco cardiovascular.
Para ter mais de 30% menos chance de problemas associados ao coração, considerando “substancial” pelos pesquisadores, foi necessário fazer entre 560 e 610 minutos de exercício moderado a intenso semanalmente — este nível só foi alcançado por 12% dos participantes.
Os resultados mostraram ainda que pessoas mais sedentárias precisavam de 30 a 50 minutos extras de exercício por semana em comparação com indivíduos que praticam atividade com frequência.
“Os achados ressaltam o desafio ainda maior enfrentado pelas populações sedentárias”, afirmam os pesquisadores da Macao Polytechnic University, em comunicado.
Limitações da pesquisa
Os cientistas lembram que o estudo é observacional, ou seja, mostra que existe relação entre a quantidade de exercício e a queda do risco cardiovascular, mas não comprova uma relação de causa e efeito.
Outra hipótese é que os participantes estudados possam ser mais ativos do que a população geral, o nível de aptidão cardiorrespiratória foi estimado, e o tempo sedentário ou exercícios menos vigorosos não foram medidos.
Os pesquisadores afirmam que os dados confirmam a quantidade de exercício recomendada atualmente como o mínimo, mas que próximas orientações devem dividir os tempos a depender da situação física do indivíduo.
“As diretrizes futuras podem precisar diferenciar entre o volume mínimo de exercícios moderados a vigorosos necessário para uma margem de segurança básica e os volumes substancialmente maiores necessários para a redução ideal do risco cardiovascular”, concluem.