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O Paraguai concedeu 23,5 mil autorizações de residência a brasileiros em 2025, mais da metade do total de 40,6 mil autorizações concedidas a estrangeiros no último ano. Nos três primeiros meses de 2026, já foram emitidas 9,2 mil autorizações para brasileiros, indicativo de que o número neste ano deve superar o recorde anterior.
Segundo autoridades migratórias paraguaias, o alinhamento ideológico à direita tem sido um fator relevante para os brasileiros que agora procuram o país, motivados pela percepção de maior liberdade econômica e menor intervenção estatal. O histórico político do Paraguai reforça esse apelo: nove dos dez presidentes desde a redemocratização, em 1989, alinham-se ao espectro da direita.
A diferença na carga tributária é outra motivação central. Enquanto o Brasil tem carga tributária de 32% do PIB, segundo o Ministério da Fazenda, o Paraguai tributa em torno de 14,5% do PIB, de acordo com a OCDE. O país adota o sistema “10-10-10”, com alíquota única de 10% para IVA, imposto de renda de pessoa física e de empresas. Somam-se a isso a energia elétrica 2,8 vezes mais barata do que no Brasil e o regime de maquila — que já trouxe ao país unidades da Lupo e da Riachuelo.
O governo paraguaio criou mutirões migratórios (Migramovil) para atender à demanda, com cerca de 4 mil atendimentos só em março de 2026 em Ciudad del Este. O perfil dos solicitantes mudou: antes 80% eram estudantes de medicina; agora, cresceu o número de empresários e aposentados.
Apesar do crescimento da procura, os dados indicam que a realidade paraguaia está longe do cenário idealizado. A baixa retenção é um dos principais sinais: apenas 19% dos pedidos de residência feitos por brasileiros em 2025 foram para o regime permanente (ante 68% em 2020), sugerindo que a maioria não se fixa de fato no país.
AAlém disso, a extrema pobreza atinge 4,1% da população paraguaia, percentual superior aos 3,5% do Brasil. Somam-se a isso as limitações do sistema público de saúde, que, embora gratuito por lei, frequentemente exige que o paciente arque com custos de medicamentos e insumos, e a baixa capacidade de investimento do Estado em infraestrutura e educação, reflexo direto da arrecadação tributária reduzida.