A empresa de produtos de limpeza Ypê emitiu nota aos consumidores na noite desta terça-feira, 19, recomendando que os produtos do lote 1, suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início deste mês, não sejam utilizados até nova deliberação da agência sobre liberação da comercialização e utilização dos detergentes, lava roupas líquidos e desinfetantes da marca. No comunicado, a empresa informou que mantém o reembolso caso os compradores do lote afetado tenham interesse.

A nota, publicada no site e nas redes sociais da Ypê, informa que os consumidores devem guardar os produtos adquiridos e reforça a orientação de que os itens não sejam jogados no lixo.

“Neste momento, reforçamos a recomendação de não utilização dos itens alcançados pela medida até posterior deliberação da autoridade sanitária. Aos consumidores que possuam os produtos objeto da medida, a orientação é a de que os itens sejam guardados adequadamente e de que não sejam utilizados nem descartados até novas orientações da Anvisa.

No comunicado, a Ypê deixou os consumidores livres para decidir se vão manter os produtos guardados em casa ou se vão pedir reembolso. Neste caso, há um formulário para solicitação no site da empresa.

“Caso o consumidor prefira, a Ypê seguirá realizando o ressarcimento dos produtos, conforme orientações disponíveis em seus canais oficiais, informou.

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Irregularidades na Ypê

A Anvisa determinou a proibição de venda e uso de detergentes, lava roupas líquidos e desinfetantes no início de maio, diante de irregularidades encontradas na fábrica no interior paulista e problemas identificados em outras visitas.

Em material enviado a VEJA, a agência listou os problemas encontrados na inspeção, considerados “falhas estruturais muito graves de garantia de qualidade”, como:

  • Produtos sendo mantidos de forma inadequada dentro da fábrica
  • Falhas no sistema de controle de qualidade
  • Dificuldade de rastrear a origem e o caminho dos produtos dentro da produção
  • Reprocessamento de produtos
  • Problemas na limpeza das instalações industriais
  • Falhas no controle da água usada na fabricação
  • Armazenamento inadequado de matérias-primas ou produtos acabados
  • Falhas na segregação entre etapas e materiais
  • Controle insuficiente de microrganismos (como bactérias e outros contaminantes)
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A agência destacou que a decisão não se baseia apenas nos achados da inspeção mais recente. “O histórico da fabricante também entrou na avaliação de risco sanitário”, escreveu em nota.

Levantamento no sistema de produtos irregulares da Anvisa mostra que, além da medida atual, há registros de uma suspensão em 2025 (na qual foi identificada presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, perigosa especialmente para pessoas imunossuprimidas, e cerca de sete ocorrências em 2024.

No último dia 13, o diretor-presidente Anvisa, Leandro Safatle, confirmou que a inspeção realizada em abril nas instalações da Química Amparo LTDA, localizada no município paulista de Amparo, detectou a contaminação pela bactéria pseudomonas aeruginosa em produtos do lote 1 da marca Ypê.

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A bactéria Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo comum no ambiente, mas que pode causar infecções, inclusive graves, nos pulmões, na corrente sanguínea, no trato urinário em indivíduos imunossuprimidos, como pacientes em tratamento contra o câncer, pessoas que vivem com HIV e transplantados, assim como populações mais vulneráveis, caso de recém-nascidos e idosos.

No último dia 15, a agência manteve a suspensão de fabricação, comercialização e uso dos produtos relacionados à resolução porque a “área técnica constatou que não se tratam de eventos pontuais, mas um comprometimento sistêmico dos processos produtivos”.



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