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O órgão de fiscalização interna do Departamento de Defesa dos Estados Unidos abriu uma investigação sobre os ataques do Comando Sul, unidade do Exército americano responsável pela América do Sul, contra barcos no Caribe e Pacífico Oriental que as forças do país dizem ser vinculados ao narcotráfico. Informações divulgadas pela emissora americana CNN nesta terça-feira, 19, apontam que o objetivo da inspeção é averiguar se os militares seguiram os métodos de alvo aprovados ao conduzir as operações.

Em carta enviada no dia 11 de maio ao general Joseph Donovan, líder do Southcom, e ao subsecretário de inteligência e segurança, Bradley Hansell, o gabinete do inspetor-geral disse que irá verificar se os militares seguiram o Ciclo Conjunto de Seleção de Alvos durante as missões. Esse procedimento, realizado em seis etapas, prevê fases distintas para a realização de operações militares, incluindo as diretrizes para seleção e validação dos alvos.

De acordo com um porta-voz do gabinete do inspetor-geral, o inquérito avaliará “o procedimento conjunto para embarcações alvo na área de responsabilidade do Comando Sul como parte da Operação Lança do Sul“. A ação militar foi lançada em setembro do ano passado, e já resultou no bombardeio de 60 embarcações no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, com mais de 190 mortos em tais incidentes.

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O alto número de ataques contribui para a narrativa de “conflito aberto” contra o narcotráfico adotada pelo presidente Donald Trump desde que retornou à Casa Branca. Sob as ordens do republicano, as forças americanas têm ampliado as frentes de ataque contra supostos integrantes de cartéis de drogas, agora definidos como “narcoterroristas”, dentro e fora do país.

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Embora a frequência dos ataques a tais barcos tenha reduzido após a captura do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro, as ofensivas no mar continuam. O último ataque, realizado em 8 de maio, atingiu um barco com três pessoas no Pacífico Oriental, resultando em duas mortes.

A estratégia é alvo de críticas de lideranças latino-americanas, juristas, congressistas americanos e até por advogados militares dentro do Pentágono, muitos dos quais argumentam que os ataques violam o direito internacional e as mortes seriam equivalentes a execuções extrajudiciais. Segundo críticos, Washington tem ignorado o devido processo legal ao longo da operação e apresentou poucas evidências de que os seus alvos eram, de fato, criminosos.



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