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O universo da moda espanhola voltou a ser sacudido por um caso que mistura fortuna bilionária, herança, poder e uma morte cercada de dúvidas. Jonathan Andic, filho do fundador da Mango, Isak Andic, foi preso nesta terça-feira, 19, sob suspeita de homicídio pela morte do pai, ocorrida em dezembro de 2024 durante uma trilha na região de Montserrat, perto de Barcelona.

Aos 45 anos, Jonathan apareceu algemado diante do tribunal de Martorell, na Catalunha, onde prestou depoimento em uma audiência fechada que durou cerca de uma hora. Ele foi liberado após pagamento de fiança fixada em 1 milhão de euros.

O empresário sempre sustentou que o pai sofreu uma queda acidental enquanto os dois caminhavam juntos por uma área turística conhecida pelas cavernas e penhascos. Na ocasião, Isak Andic caiu mais de 100 metros em um desfiladeiro e morreu no local após sofrer múltiplos ferimentos. Helicópteros e equipes de resgate chegaram a ser mobilizados, mas não houve tempo para salvá-lo.

Novas evidências

Inicialmente, a Justiça espanhola encerrou a investigação em janeiro de 2025 alegando ausência de indícios de crime. O caso, porém, foi reaberto posteriormente, e investigadores passaram a analisar os celulares de Jonathan e das irmãs dele, Judith e Sarah Andic.

Segundo o jornal espanhol “La Vanguardia”, inconsistências no depoimento do herdeiro levantaram novas suspeitas. As contradições envolveriam detalhes sobre o local onde ele estava no momento da queda do pai, a área em que estacionou o carro durante o passeio e até se teria feito fotografias naquele dia.

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Em comunicado divulgado nesta terça-feira, a família Andic afirmou que continuará colaborando com as autoridades, mas disse estar impedida de comentar o caso em sigilo judicial. No ano passado, os familiares já haviam declarado confiar “plenamente” na inocência de Jonathan.

Rival da Zara

Nascido na Turquia, Isak Andic fundou a Mango em Barcelona, em 1984, ao lado do irmão Nahman. A marca se transformou em um dos maiores impérios do fast fashion europeu, frequentemente apontada como rival da gigante espanhola Zara, criada por Amancio Ortega.

Sob o comando de Andic, a Mango expandiu-se para quase 3 mil lojas em 120 países e se tornou presença constante no circuito internacional de moda. O empresário também aproximou a grife do universo das supermodelos e celebridades ao convidar nomes como Kate Moss, Claudia Schiffer, Naomi Campbell e Kendall Jenner para campanhas e coleções. Ele também mantinha amizade próxima com a rainha Letizia, que chegou a prestar homenagem pública após sua morte.

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Na época do acidente, Isak Andic ocupava a presidência não executiva da Mango e tinha fortuna estimada em 4,5 bilhões de dólares. Após sua morte, Jonathan assumiu a vice-presidência do conselho da empresa e a presidência da holding MNG, enquanto as irmãs Judith e Sarah tornaram-se vice-presidentes.

O comando executivo da Mango passou para Toni Ruiz, atual CEO e presidente do conselho da companhia, que definiu a morte do empresário como “um vazio enorme” para a marca que ajudou a transformar em potência global.

 



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