Nas profundezas do oceano, existe um verme que vive dentro de um “castelo de vidro”, um misterioso “tubarão fantasma” e uma esponja carnívora em forma de “bola da morte”.
Essas são apenas três das 1.121 espécies “anteriormente desconhecidas” descobertas nos oceanos do mundo no último ano, conforme anunciado na terça-feira (19) pelo Ocean Census, um esforço global para mapear a vida marinha que envolve mais de 1.000 pesquisadores em 85 países.
Isso representa um aumento de 54% nas identificações anuais, de acordo com a organização, que existe há três anos e é liderada pela Fundação Nippon do Japão e pela Nekton, um instituto britânico de exploração oceânica.
O oceano é um dos ecossistemas menos conhecidos do planeta, especialmente as profundezas marinhas. Antes, acreditava-se que pouca vida pudesse prosperar em seus ambientes extremos, mas, nos últimos anos, os cientistas descobriram ecossistemas repletos de espécies incomuns – e, às vezes, totalmente bizarras.
A vida subaquática enfrenta imensos desafios devido às mudanças climáticas, com o aquecimento dos oceanos, e às atividades humanas, incluindo a poluição proveniente da indústria e da agricultura. A busca por minerais no oceano, que parece estar cada vez mais próxima da realidade , representa outro enorme risco.
“Com muitas espécies em risco de desaparecer antes mesmo de serem documentadas, estamos numa corrida contra o tempo para compreender e proteger a vida marinha”, disse Michelle Taylor, chefe de ciência do Ocean Census.

Ao longo do último ano, cientistas do Ocean Census realizaram 13 expedições a alguns dos oceanos menos explorados do mundo.
Ao largo da costa do Japão, a cerca de 2.600 pés abaixo da superfície do oceano , descobriram uma nova espécie de verme poliqueta cerdoso vivendo dentro de uma esponja de vidro, que possui um esqueleto translúcido em forma de malha – conhecido como castelo de vidro – feito de sílica, o principal componente do vidro.
A esponja e o verme têm uma relação simbiótica , o que significa que se beneficiam mutuamente. O verme é protegido ao fazer da “casinha de vidro” seu lar, uma estrutura estável e rica em nutrientes, e, em troca, remove detritos potencialmente nocivos da superfície da esponja.

Na Austrália, cientistas encontraram uma espécie de quimera “tubarão-fantasma” a profundidades de cerca de 823 metros. Esses peixes são parentes distantes de tubarões e raias, tendo divergido dessas espécies há quase 400 milhões de anos.
Em Timor-Leste, cientistas encontraram uma espécie de lagarta-fita com cerca de 2,5 cm de comprimento e listras laranja brilhantes, símbolo de suas potentes defesas químicas. As toxinas produzidas por essas lagartas têm sido investigadas como potenciais tratamentos para Alzheimer e esquizofrenia.

Na Fossa Norte das Ilhas Sandwich do Sul, um conjunto de ilhas desabitadas no Oceano Atlântico Sul, cientistas encontraram uma esponja carnívora do tipo “bola da morte” a profundidades de quase 3.658 metros (12.000 pés).
Essa espécie é coberta por ganchos microscópicos semelhantes a velcro que prendem crustáceos que flutuam nas correntes oceânicas. A esponja então os envolve e os ingere.
