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Mais de trinta ex-presidentes da América Latina e da Espanha manifestaram preocupação com a escalada dos protestos contra o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, e pediram nesta segunda-feira, 18, que a Organização dos Estados Americanos (OEA) acompanhe de perto a crise política e social no país. A vitória do direitista nas eleições do ano passado encerrou quase duas décadas de hegemonia da esquerda, direta ou indiretamente sob o comando de Evo Morales.

Em carta aberta, integrantes da Iniciativa Democrática da Espanha e das Américas (Grupo Idea) afirmaram que os bloqueios e manifestações colocam em risco o abastecimento de alimentos e combustíveis, além de ameaçarem a estabilidade das instituições democráticas bolivianas.

O documento foi assinado por 31 ex-chefes de Estado, entre eles o espanhol Mariano Rajoy, o mexicano Vicente Fox, o colombiano Iván Duque, o argentino Mauricio Macri e os bolivianos Jeanine Áñez e Jorge Quiroga. Na carta, o grupo pede que os governos democráticos da região permaneçam “vigilantes” e solicita ao secretário-geral e ao Conselho Permanente da OEA que adotem medidas preventivas previstas na Carta Democrática Interamericana.

Segundo os ex-presidentes, a “manipulação política da protesto social” na Bolívia pode ser usada para enfraquecer as instituições democráticas do país. O Grupo Idea ressaltou ainda que o governo de Paz é “legítimo” e resultado da “livre soberania popular”, após a vitória do presidente no segundo turno das eleições realizadas no ano passado, quando obteve cerca de 55% dos votos.

Onda de protestos

A Bolívia enfrenta, desde o início de maio, uma onda crescente de protestos, que começaram com reivindicações sindicais — como reajustes salariais e críticas a uma lei sobre reclassificação de terras — mas rapidamente passaram a incorporar pedidos pela renúncia de Paz.

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A crise se agravou no último dia 6, quando a Federação de Camponeses Túpac Katari iniciou um bloqueio “indefinido” de rodovias no oeste do país. Desde então, a capital La Paz permanece parcialmente cercada por manifestantes.

O movimento ganhou força com a adesão da Central Operária Boliviana, do grupo indígena Ponchos Rojos e de apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que organizaram uma marcha de cerca de 190 quilômetros até La Paz.

Na segunda-feira 18, as manifestações terminaram em confrontos com a polícia, atos de vandalismo, ataques a prédios públicos e estações do teleférico da capital, além do saque de alguns estabelecimentos comerciais e da queima de um veículo policial.

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Segundo o porta-voz presidencial José Luis Gálvez, o governo identificou convocações para que manifestantes portassem armas durante os atos. Até o momento, porém, não há registro de mortos ou feridos por disparos de arma de fogo.

Estado de exceção

Apesar da escalada da tensão, o ministro do Interior da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, descartou decretar estado de exceção, mas afirmou que haverá reforço da presença policial e militar para evitar novos episódios de violência.

A carta do Grupo Idea também manifesta preocupação com a escassez de alimentos e produtos básicos em La Paz, que enfrenta dificuldades de abastecimento após quase duas semanas de bloqueios.

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Segundo a Administradora Boliviana de Rodovias, o país registrava nesta terça-feira 32 pontos de bloqueio nos departamentos de La Paz, Oruro e Cochabamba — dez a mais do que no dia anterior.

Organizações como a Defensoria do Povo e a Assembleia de Direitos Humanos da Bolívia tentam intermediar negociações entre o governo e os grupos mobilizados, mas o conflito segue sem perspectiva de solução imediata.



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