
A defesa de Daniel Vorcaro, conduzida pelos criminalistas José Luis Oliveira Lima e Sérgio Leonardo, deve adotar uma nova postura na negociação da delação do dono do Banco Master com a PGR e com a Polícia Federal.
A ideia, segundo interlocutores do banqueiro, é robustecer os anexos apresentados e buscar uma nova rodada de negociações.
Relator da investigação no STF, André Mendonça tem dito que a delação é um instrumento da defesa e, portanto, pode ser utilizado como a defesa quiser. Não significa, no entanto, que o ministro do Supremo homologará o que vier a ser apresentado.
A oferta de novas provas e relatos de crimes de Vorcaro envolvendo poderosos pode ser um sinal de que agora o banqueiro deseja mesmo colaborar. Algo que hoje não existe.
A impressão atual, entre investigadores, é a de que Vorcaro tenta negociar um acordo fajuto, enquanto protege poderosos interesses, acreditando que seu silêncio poderá render dividendos processuais no futuro. Essa conta despreza a inteligência e experiência de Mendonça na negociação de acordos.
Para piorar, os investigadores descobriram que um advogado de Vorcaro tratou da delação do banqueiro, enquanto os anexos eram produzidos na Polícia Federal, com o petista José Dirceu e também com um ministro do STF enredado na trama do Master.
Foi esse jogo duplo, aliás, que levou ao fim do canal de diálogo direto entre a defesa do banqueiro e o ministro Mendonça, que agora só se comunica com o relator do processo por escrito, nos autos.
Se o novo movimento da defesa não prosperar, é provável que a família de Vorcaro, que agora lida com pai e filho presos, busque uma nova equipe de defensores para o caso.