
A ala “raiz” do PL, que compõe os quadros do partido desde muito antes da chegada do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus discípulos, não esconde a decepção com o senador Flávio Bolsonaro por ter negociado dinheiro com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Esse grupo avalia que Flávio assumiu um desgaste desnecessário ao trazer para a campanha “o homem mais radioativo do Brasil”. O clima interno é de frustração. “Não tem como fazer jogo do contente”, descreve um cacique da legenda.
A conexão do senador com o banqueiro veio a público a menos de cinco meses do primeiro turno, o que na avaliação de aliados permite uma recuperação até a eleição, mas há preocupação com novas revelações. Ninguém sabia das negociações sobre o filme e há temor em torno da possibilidade de outras surpresas desagradáveis. O senador já admitiu a correligionários que se reuniu com o banqueiro depois que ele foi preso pela primeira vez.
Não se sabe ainda qual será o rumo da candidatura de Flávio. Tudo vai depender de dois fatores: as próximas pesquisas eleitorais, que vão medir o desgaste causado pelas revelações do The Intercept Brasil, e a palavra final do ex-presidente Jair Bolsonaro. Internamente, a leitura é a de que o desempenho do senador frente a crise foi insatisfatório.
Os quadros históricos do PL consideram que o momento é de ressaca para o partido. Além da relação de Flávio com Vorcaro, na semana passada a Polícia Federal fez buscas na casa do ex-governador Cláudio Castro, pré-candidato ao Senado do Rio. Ganha força a ideia de que será preciso encontrar um substituto para a chapa.