Em um momento em que escolas ao redor do mundo enfrentam uma crise silenciosa de desengajamento, uma startup brasileira chega ao mercado global com uma resposta construída dentro da sala de aula.
A Gamefik, plataforma que combina gamificação e inteligência artificial para transformar o aprendizado em experiência colecionável, anuncia sua expansão internacional com uma versão dedicada diretamente a professores do ensino fundamental e médio, disponível em português, inglês e espanhol ainda neste semestre.
A movimentação marca uma virada estratégica relevante para a empresa. Depois de mais de dez anos operando no modelo B2B, atendendo escolas da educação básica brasileira, a Gamefik passa a alcançar também professores de forma direta, no modelo B2C, transformando o docente em agente ativo de transformação dentro da sua própria sala de aula, independentemente de onde essa sala esteja.
O contexto que motivou a expansão é urgente. Alunos competem diariamente com TikTok, YouTube e jogos de alta sofisticação visual e narrativa.
Professores acumulam jornadas extenuantes e raramente contam com ferramentas que, de fato, aumentem o engajamento sem ampliar a carga de trabalho. A Gamefik entra nesse cenário com uma proposta que inverte a lógica: em vez de disputar a atenção do aluno fora da escola, traz para dentro da sala de aula a mesma linguagem que já domina o tempo livre das novas gerações.
Letramento digital
“O problema do desengajamento escolar não é falta de interesse dos alunos, é falta de linguagem. Estamos falando de uma geração que cresceu dentro de universos gamificados, com progressão, recompensa e identidade. A Gamefik traduz essa lógica para o ambiente pedagógico, sem abrir mão do conteúdo”, afirma Marcelo Brenner, sócio-fundador da Gamefik.
A mecânica central da plataforma gira em torno de um universo colecionável. Ao participar de quizzes e missões criadas pelos próprios professores, os alunos ganham moedas, gems e baús que revelam personagens, títulos, skins e itens de raridade progressiva.
As Lendas, como Thorzinho, o viking, Lumia, a cientista, e Chronos, são personagens que carregam curiosidades educacionais embutidas, conectando a identidade visual do aluno ao conteúdo que ele está estudando. Lumia, por exemplo, apresenta conceitos de física quântica e fibra óptica. O Capitão Shiny leva o aluno para o espaço. O conteúdo está dentro do personagem, não separado dele.
A dimensão coletiva também foi cuidadosamente desenhada. O Baú da Turma funciona como uma mecânica cooperativa. Quando a turma inteira atinge uma meta de atividades, todos recebem recompensas juntos. O mecanismo cria uma cultura de colaboração dentro da sala de aula, tornando o engajamento individual uma conquista coletiva, algo que a maioria das plataformas educacionais ainda não conseguiu resolver.
Para Marcelo, a inteligência artificial da plataforma atua como suporte pedagógico real, uma vez que cria e corrige atividades automaticamente, reduzindo o tempo operacional e ampliando o espaço para o que realmente importa no trabalho docente – um ponto de diferenciação relevante, especialmente para mercados onde o burnout entre professores já é tratado como crise de saúde pública.
Tempo de tela mais eficaz
“Não queremos aumentar o tempo de tela dos alunos. Queremos que o tempo que já está acontecendo dentro da escola seja mais significativo, mais envolvente e mais eficaz. Esse é o compromisso da Gamefik: engajamento dentro do contexto de aprendizado, não fora dele”, complementa Brenner.
A escolha dos três idiomas iniciais – português, inglês e espanhol – reflete o foco estratégico da empresa nos mercados de maior potencial para EdTech nas Américas: Brasil, América Latina e Estados Unidos. Segundo a Grand View Research, o setor global de tecnologia educacional deve atingir US$ 348 bilhões até 2030, crescendo a 13,3% ao ano.
A trajetória da empresa no Brasil inclui integrações com iniciativas como o Projeto Ismart, que conecta alunos de alta performance de escolas públicas a ferramentas como Khan Academy e Letrus, experiência que contribuiu para refinar a abordagem pedagógica da plataforma em contextos de alta exigência e diversidade de perfis de aprendizado.
“A educação precisa evoluir na mesma velocidade do mundo em que os alunos vivem. Nossa expansão internacional é um passo nessa direção, pensando em levar para diferentes países uma solução que respeita o papel do professor, potencializa o aprendizado e transforma o engajamento em algo natural dentro da sala de aula. Acreditamos que, quando a experiência faz sentido para o aluno, o aprendizado deixa de ser obrigação e passa a ser conquista”, conclui Marcelo Brenner.
*Publicado por André Nicolau, da CNN Brasil