Mais de 145 mil crianças cidadãs dos Estados Unidos tiveram ao menos um dos pais detido por autoridades de imigração desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, revelou um estudo da Brookings Institution, um dos principais centros de pesquisa dos EUA, divulgado nesta segunda-feira, 18.

O relatório estima que cerca de 146.635 menores foram afetados pela campanha de deportações em massa intensificada pelo republicano — política que vem sendo alvo de críticas de organizações de direitos civis e grupos de defesa de imigrantes. Os pesquisadores afirmam que os dados oficiais do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) provavelmente subestimam a dimensão do problema.

Em mais de 22 mil casos, todos os pais ou responsáveis que viviam na mesma residência foram detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). O levantamento aponta ainda que aproximadamente 36% dessas crianças têm menos de seis anos de idade.

Segundo a Brookings Institution, a maior parte dos menores afetados pertence a famílias mexicanas, que representam quase 54% dos casos. Filhos de imigrantes da Guatemala e de Honduras somam juntos mais de 25% do total. Washington D.C. e o Texas aparecem como os locais com maior proporção de crianças impactadas pelas detenções, com mais de cinco em cada mil menores afetados pela prisão de um dos pais.

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Alerta sobre subcontagem

O governo americano informou que 18.277 pessoas detidas em 2025 tinham filhos americanos, mas o estudo considera que o número real seja ainda maior. Muitos imigrantes deixam de informar que têm filhos por medo das consequências legais ou sequer são questionados pelas autoridades sobre a existência de crianças em casa.

O relatório aponta ainda que cerca de 13 milhões de adultos vivem atualmente em situação migratória irregular ou sob proteção legal limitada nos Estados Unidos. Como consequência, mais de 4,6 milhões de crianças americanas vivem com ao menos um dos pais vulnerável à deportação — e aproximadamente 2,5 milhões poderiam enfrentar a detenção de todos os responsáveis da residência.

O estudo também sustenta que, diante da expansão da fiscalização migratória, garantir proteção e apoio básico às crianças atingidas pela separação familiar deve ser tratado como uma obrigação do governo.

Em nota enviada ao jornal britânico The Guardian, um porta-voz do DHS rebateu as críticas e afirmou que “estar detido é uma escolha”. Segundo ele, o ICE “não separa famílias” e oferece aos pais a possibilidade de serem deportados junto com os filhos ou indicar uma pessoa responsável para cuidar das crianças.



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