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A nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 16, reforçou o cenário de polarização extrema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026. O levantamento mostrou os dois rigorosamente empatados em um eventual segundo turno, com 45% das intenções de voto para cada lado.
O resultado consolida uma tendência observada nas últimas semanas por diferentes institutos: a disputa presidencial caminha para uma nova reedição do embate entre lulismo e bolsonarismo, enquanto candidaturas alternativas seguem sem conseguir romper a polarização.
A nova rodada do Datafolha, porém, traz um detalhe importante. Ela não captou o impacto político do escândalo envolvendo mensagens e áudios trocados entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo o instituto, foram consideradas apenas entrevistas realizadas entre os dias 12 e 13 de maio. Na quarta-feira, 14, o portal Intercept Brasil divulgou mensagens em que Flávio cobrava pagamentos milionários de Vorcaro para financiar Dark Horse, filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que mostrou o novo Datafolha?
No principal cenário de segundo turno testado pelo instituto, Lula e Flávio aparecem empatados com 45% das intenções de voto cada. Brancos e nulos somam 9%, enquanto 1% afirmou não saber em quem votar.
Na pesquisa anterior do instituto, divulgada em abril, Flávio aparecia numericamente à frente, com 46% contra 45% de Lula.
Lula x Flávio: 6 sinais que as pesquisas já indicam sobre duelo
Já no primeiro turno, Lula lidera numericamente com 38% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 35%. A diferença, porém, segue dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Os demais candidatos continuam distantes da liderança. Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem com 3% cada, enquanto os outros nomes testados oscilam entre 1% e 2%.
Quando sairão as primeiras pesquisas pós-Dark Horse?
A nova rodada da AtlasIntel começou a ser coletada no próprio dia em que a crise veio à tona, em 13 de maio, e seguirá até domingo, 18. A divulgação está prevista para terça-feira, 19.
Já o Datafolha registrou pesquisa com coleta entre os dias 20 e 22 de maio e divulgação marcada para 22 de maio.
Como o Datafolha se encaixa nas outras pesquisas?
O levantamento praticamente reproduz o cenário apontado por outros institutos nas últimas semanas. A Quaest mostrou Lula com 37% e Flávio com 32% no primeiro turno, além de empate técnico no segundo turno, com 42% a 41%.
A AtlasIntel também vinha registrando cenários extremamente apertados entre os dois candidatos, enquanto o Real Time Big Data identificou rápida consolidação da transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro para Flávio.
Nos bastidores políticos, a leitura predominante é de que Lula conseguiu interromper sua trajetória de desgaste, enquanto Flávio consolidou rapidamente o eleitorado bolsonarista, mas nenhum dos dois conseguiu abrir vantagem estrutural sobre o adversário.
Flávio Bolsonaro atingiu um teto?
Uma das principais dúvidas que passaram a circular após a nova rodada de pesquisas é se Flávio Bolsonaro chegou ao limite de crescimento eleitoral.
Desde que foi anunciado como herdeiro político de Jair Bolsonaro, o senador conseguiu absorver rapidamente o eleitorado conservador e alcançar Lula em praticamente todos os cenários nacionais. Agora, porém, os números começam a indicar estabilidade.
A dúvida aumentou porque o Datafolha não captou o impacto das revelações envolvendo Vorcaro e o Banco Master. Aliados de Lula avaliam que o episódio pode ampliar a rejeição de Flávio, desgastar sua imagem junto ao eleitor moderado e reacender temas antigos ligados ao histórico da família Bolsonaro.
Já bolsonaristas apostam que o caso terá impacto limitado sobre o eleitorado mais fiel do senador.
Por que Lula voltou a respirar?
As pesquisas mais recentes também mostram melhora parcial na avaliação do governo Lula. Analistas atribuem o movimento a programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola, à ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, a medidas de estímulo ao consumo e ao recuo na chamada “taxa das blusinhas”.
No discurso do Planalto, o foco passou a ser a “economia do dia a dia”, numa tentativa de aproximar os indicadores econômicos positivos da percepção concreta do eleitor.
A estratégia busca reduzir justamente o principal problema do governo hoje: o descompasso entre bons números macroeconômicos e a sensação persistente de aperto financeiro entre os brasileiros.
Há espaço para uma terceira via?
Até agora, os números seguem pouco animadores para candidatos fora da polarização. Mesmo após intensificarem agendas públicas e ampliarem exposição política, nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado continuam presos a patamares baixos nas pesquisas.
Em cenários de segundo turno contra Lula, os dois também aparecem atrás do presidente. Os dados reforçam a percepção crescente entre estrategistas de que a eleição de 2026 continua fortemente dependente da rejeição mútua entre petismo e bolsonarismo.
O que observar nas próximas pesquisas?
Os próximos levantamentos devem tentar responder três questões centrais para a disputa presidencial: se o caso Daniel Vorcaro afetará Flávio Bolsonaro, se Lula conseguiu consolidar uma recuperação e se existe espaço real para crescimento de candidaturas alternativas.
Com a campanha ainda distante formalmente, mas já acelerada nos bastidores, a tendência é que economia, corrupção, redes sociais e rejeição sigam como os principais vetores da disputa presidencial.
VEJA+IA: Este consolidado de pesquisas foi produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.