
Neymar andou tropeçando na bola nos últimos tempos, continua agindo de forma infantil fora dos campos e não tem forma física para aguentar o tranco de uma Copa do Mundo. Mesmo assim, tem grandes chances de ser convocado para a seleção brasileira que tentará o hexacampeonato.
No Brasil polarizado, metade da torcida quer Neymar, o mesmo acontece com a imprensa especializada. A maioria dos ex-jogadores e boleiros em atividade, incluindo os da seleção, também querem ver o “parça” nos campos dos Estados Unidos, México e Canadá. Um argumento recorrente (e, convenhamos, um pouco difícil de rebater tecnicamente a esta altura do campeonato): com uma perna só, ele é melhor que os habituais selecionados. Paquetá voando no gramado ou Neymar mancando? Haja discussão para mesas de bares.
Será difícil para Carlo Ancelotti, o primeiro técnico estrangeiro a dirigir o escrete, ir contra a pressão crescente a favor do santista. Para o treinador, aliás, a melhor forma de se livrar do problema atual é dizer “sim” a Neymar. Sem ele, em caso de fracasso, a ausência será cobrada exaustivamente. Com ele, a responsabilidade de um fracasso fica melhor dividida. Deu ruim? Chamei o ídolo nacional e não adiantou, pode alegar o treinador.
Copa do Mundo: 6 incertezas que ameaçam a Seleção
Se realmente anunciar a convocação de Neymar nas próximas horas, Ancelotti vai resolver um problema imediato e criar uma série de outros. De imediato, será cobrado pela falta de coerência: por que apostar em um atleta fora das condições ideais, depois de dizer por meses que a forma física e a consistência nos jogos na temporada seriam fatores determinantes para a convocação?
A próxima polêmica será se o jogador vai ser titular do time. Caso fique no banco, o italiano será cobrado ao longo da Copa para colocá-lo o mais rápido possível em campo cada vez que a seleção fraquejar nas partidas. No atual estágio das coisas, isso não será difícil de acontecer, convenhamos.
O dilema do técnico é ainda pior do que o inferno enfrentado por Felipão quando deu as costas a Romário em 2002. Naquela época, o técnico que descartou o artilheiro tinha à disposição Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo e companhia. Matéria-prima de alta qualidade. Hoje o escrete é um deserto de ídolos e de craques.
Lavar as mãos e fazer o que grande parte da torcida quer ou reforçar a autoridade, independência e critério para montar a seleção da Copa?
Tremenda bola dividida para Carlo Ancelotti.