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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou diversas imagens nas últimas horas na sua rede, a Truth Social, renovando as ameaças contra o Irã em meio a um impasse nas negociações para encerrar a guerra que ele começou. Uma delas, publicada nesta segunda-feira, 18, mostra uma imagem do mapa do Oriente Médio, com a bandeira americana sobreposta e setas apontando para o Irã.
Anteriormente, no domingo 17, ele havia postado uma imagem gerada por inteligência artificial, com a legenda “Força Espacial”, em que aparece sentado e pressionando um botão vermelho, desencadeando uma série de ataques contra alvos que são destruídos. O presidente americano escreveu ainda que o “tempo está se esgotando” para o Irã, advertindo, com as habituais letras maiúsculas, que é “melhor eles (os iranianos) se mexerem, RÁPIDO, ou não sobrará nada deles”.

Os alertas ocorrem dias após a reunião entre Trump e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, na qual abordaram a guerra no Oriente Médio — e concordaram, segundo a Casa Branca, que Teerã não deve ter armas nucleares e que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto.
Impasse nas negociações
Na semana passada, o ocupante do Salão Oval chamou de “estúpida” e “um lixo” a resposta de Teerã à mais recente proposta de paz dos Estados Unidos, além de alertar que a trégua está “incrivelmente frágil”. Trump reiterou que o plano americano é o melhor “de todos os tempos” porque estabelece que “o Irã não pode ter uma arma nuclear e não terá uma arma nuclear”.
A agência de notícias iraniana Fars informou no domingo que Washington apresentou uma nova lista de cinco pontos que incluía a exigência de que o Irã mantenha apenas uma instalação nuclear em funcionamento e transfira sua reserva de urânio altamente enriquecido para os Estados Unidos. Em contrapartida, o governo americano não aceitou desbloquear “nem sequer 25%” dos ativos congelados do Irã ou a pagar indenizações pelos danos de guerra, segundo a Fars.
Nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o país transmitiu uma nova resposta aos Estados Unidos sobre os termos para encerrar a guerra. Apesar de já terem trocado algumas propostas de acordo, os dois países organizaram apenas uma rodada de negociações em meio ao frágil cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.
Sem dar detalhes sobre o texto, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, reiterou apenas as exigências iranianas, como a liberação dos ativos iranianos congelados no exterior e o fim das sanções de longa data, e também defendeu que os Estados Unidos devem pagar reparações de guerra, descrevendo o conflito como “ilegal e sem fundamento”. A agência Fars, por sua vez, destacou que a proposta iraniana enfatiza que a gestão do estratégico Estreito de Ormuz continuará nas mãos de Teerã, que mantém a passagem fechada na prática desde o início do conflito.
Ao mesmo tempo, Baqaei disse que o Irã está “preparado para qualquer eventualidade”, referindo-se à possibilidade de um novo confronto militar. As tensões continuam altas: a Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico iraniano, informou que atacou grupos “que atuam a serviço dos Estados Unidos e de Israel” no oeste do país, perto da fronteira com o Iraque.
Os grupos, “radicados no norte do Iraque”, foram atacados quando “tentavam introduzir no país uma importante carga de armas e munições americanas”, afirmou a guarda em um comunicado divulgado pela agência Isna.