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O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, mais alta agência securitária do país, anunciou nesta segunda-feira, 18, a criação de um novo órgão para administrar o Estreito de Ormuz, que Teerã bloqueou como resposta aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel que iniciaram a guerra no Oriente Médio em 28 de fevereiro.
As funções do novo organismo ainda não estão claras, mas, segundo a publicação especializada em navegação Lloyd’s List, seria responsável por “aprovar o trânsito de navios e arrecadar taxas de direito de passagem no Estreito de Ormuz”, pretendendo cobrar um pedágio para a navegação.
Em seu perfil oficial no X (ex-Twitter), o Conselho Supremo de Segurança Nacional compartilhou uma publicação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), na qual afirma que oferecerá “informações em tempo real sobre as operações” na passagem marítima. A conta da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, poderosa força ideológica paralela ao Exército, compartilhou a mesma publicação.
No último sábado 16, Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, já havia afirmado que seu país elaborou um mecanismo para regular o tráfego marítimo através de uma rota designada em Ormuz e cobrará taxas “pelos serviços especializados” prestados no âmbito do sistema.
“Nesse processo, apenas embarcações comerciais e partes que cooperam com o Irã se beneficiarão”, escreveu ele no X.
Controle de Ormuz
No início do mês, a emissora iraniana em inglês Press TV afirmou que o novo órgão representava um “sistema para exercer a soberania” do Irã sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo, por onde costuma passar 20% do petróleo e gás consumidos no planeta. Seu fechamento provocou a mais grave crise de fornecimento de combustíveis na história, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
Um frágil cessar-fogo está em vigor desde 8 de abril, mas o controle do Irã sobre o estreito vem complicando as negociações para encerrar a guerra de forma permanente. Os Estados Unidos, há um mês, implementaram seu próprio bloqueio naval a portos iranianos, e defendem que Ormuz seja um canal totalmente livre para navegação.
Desde o início do conflito, porém, Teerã sugeriu várias vezes que o tráfego na região “não voltará à situação anterior à guerra” e, no mês passado, declarou que havia recebido os primeiros pagamentos de pedágio — alguns, segundo a imprensa internacional, estipulados em US$ 2 milhões.