O governo das Maldivas informou nesta segunda-feira (18) que os corpos dos quatro mergulhadores italianos restantes, que estavam desaparecidos no país, e morreram na semana passada, foram localizados.

Ao todo cinco mergulhadores italianos morreram depois de explorar o Atol de Vaavu na quinta-feira (14), o que motivou uma missão de recuperação. Eles estavam em uma expedição de mergulho com outros 20 cidadãos italianos, a bordo do navio Duke of York, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Itália.

O corpo do instrutor de mergulho Gianluca Benedetti foi encontrado na entrada da caverna, levando as autoridades a acreditar que os outros quatro permaneciam lá dentro, disse o principal porta-voz do governo das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef.

Os quatro corpos encontrados nesta segunda-feira (18) são de Monica Montefalcone, professora associada de ecologia da Universidade de Gênova; a filha dela, Giorgia Sommacal; o biólogo marinho Federico Gualtieri; e a pesquisadora Muriel Oddenino.

A tentativa de recuperar os corpos evidenciou o perigo e a complexidade da operação: o mergulhador militar sênior, sargento Mohamed Mahudhee, de 43 anos, morreu no sábado (16) durante uma segunda missão de recuperação na caverna, que em seu ponto mais profundo fica a 70 metros abaixo da superfície, quase a profundidade de um prédio de 20 andares.

A operação foi retomada nesta segunda-feira (18), após uma suspensão temporária devido à morte de Mahudhee.

Pelo menos três mergulhadores finlandeses da DAN (Divers Alert Network), um grupo global de segurança de mergulho, pousaram nas Maldivas no domingo (17) e iriam se encontrar com a equipe da guarda costeira local para trabalhar em uma nova estratégia para completar a missão, informou Shareef.

“Eles foram recomendados pela Itália e realizaram mergulhos profundos e em cavernas em todo o mundo”, disse o porta-voz à CNN.

Questionamentos sobre a legalidade do mergulho

Uma investigação está em andamento para apurar o que aconteceu com os mergulhadores – e como todos chegaram a tais profundidades.

“Para mergulho recreativo e comercial, por lei, ninguém está autorizado a ir além de 30 metros e, infelizmente, isso parece ter acontecido muito mais fundo porque até a boca da caverna está quase 50 metros abaixo”, declarou Shareef.

A licença do navio foi suspensa enquanto se aguarda o resultado da investigação, segundo o porta-voz do governo.

A agência turística italiana responsável pela viagem de mergulho nas Maldivas negou ter autorizado ou ter conhecimento do mergulho profundo que violava os limites locais, disse a advogada da operadora ao diário italiano Corriere della Sera no sábado.

Orietta Stella, representando a Albatros Top Boat, disse que a operadora “não sabia” que o grupo planejava descer além dos 30 metros. Ultrapassar esse limite requer permissão especial das autoridades marítimas das Maldivas e a agência  “nunca teria permitido isso”, disse ela.

As vítimas eram mergulhadores experientes, mas o equipamento utilizado parecia ser equipamento recreativo padrão, em vez de equipamento técnico adequado para mergulho em cavernas profundas, disse ela.

Ela também esclareceu que a Albatros apenas comercializava o cruzeiro e não era proprietária da embarcação nem empregava a tripulação, que era contratada localmente.

CNN entrou em contato com Albatros Top Boat para comentar.

A Universidade de Gênova prestou homenagem aos quatro mergulhadores desaparecidos, que estudaram ou lecionaram na instituição.

“A solidariedade de toda a comunidade universitária vai para os familiares, colegas e estudantes que partilharam o seu percurso humano e profissional”, afirmou a universidade.

As Maldivas são altamente dependentes do turismo, recebendo mais de 2 milhões de visitantes em 2025, de acordo com o seu ministério do Turismo, em comparação com uma população residente de 500 mil pessoas.



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