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A Groenlândia afirmou nesta segunda-feira, 18, que houve progresso nas negociações diplomáticas com os Estados Unidos sobre o futuro estratégico da ilha ártica, alvo de crescente interesse do presidente americano Donald Trump. Apesar do avanço no diálogo, líderes locais reiteraram que o território semiautônomo pertencente à Dinamarca não será vendido aos americanos.
A declaração foi feita após reuniões em Nuuk, capital da Groenlândia, entre o primeiro-ministro do gelado território, Jens-Frederik Nielsen, o chanceler Mute Egede e o enviado especial americano Jeff Landry, nomeado por Trump para conduzir as tratativas sobre uma possível ampliação da presença dos Estados Unidos na região.
O encontro ocorre em meio à pressão do governo americano para aumentar sua influência militar no Ártico, área considerada estratégica diante das disputas geopolíticas com Rússia e China e do avanço das rotas marítimas comerciais abertas pelo derretimento do gelo polar.
“Estamos focados em encontrar uma solução que seja boa para todos nós e, principalmente, em garantir que ameaças de anexação, tomada de controle ou compra da Groenlândia e do povo groenlandês não aconteçam”, declarou Nielsen a jornalistas após a reunião.
Já o chefe das Relações Exteriores reforçou que a autonomia da ilha é uma “linha vermelha” nas negociações. “Nós não venderemos a Groenlândia. Ela continuará pertencendo ao povo groenlandês para sempre”, afirmou Mute Egede.
Jeff Landry não comentou oficialmente o resultado das conversas. No domingo, ao desembarcar em Nuuk, disse apenas à imprensa local que estava na ilha para “ouvir e aprender”.
Apetite territorial
As declarações acrescentam um novo capítulo à crise diplomática provocada pela insistência de Donald Trump em defender publicamente que os Estados Unidos assumam o controle da Groenlândia — seja por meio da compra do território ou da ampliação da influência americana sobre a ilha ártica (em janeiro, ele descartou a aquisição por via militar, ao menos por ora).
Para reduzir as tensões entre Washington e Copenhague, autoridades da Groenlândia, da Dinamarca e dos Estados Unidos concordaram, no início deste ano, em abrir uma rodada de negociações de alto nível. O conteúdo das conversas, porém, ainda não foi detalhado oficialmente.
O interesse americano pela região está ligado principalmente ao argumento de segurança militar. O governo Trump pretende ampliar a presença das Forças Armadas na ilha e integrar o território ao chamado “Domo Dourado”, um novo sistema de defesa contra ataques nucleares idealizado pela Casa Branca.
Atualmente, os Estados Unidos mantêm apenas uma instalação militar ativa na Groenlândia: a base espacial de Pituffik, no extremo noroeste da ilha. Durante a Segunda Guerra Mundial, os americanos chegaram a operar cerca de 17 instalações militares no território, com milhares de soldados destacados na região.