
As chances de formação de um novo El Niño em 2026 já ultrapassam 90%, segundo projeções da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), uma das principais referências globais em monitoramento climático. O cenário reacendeu o alerta entre meteorologistas e centros internacionais de previsão diante do risco de novos eventos extremos em diferentes partes do planeta.
De acordo com os modelos climáticos mais recentes, a probabilidade de desenvolvimento do fenômeno entre maio e julho está em torno de 60%, mas sobe rapidamente a partir da primavera no hemisfério sul, superando 90% entre setembro e novembro.
Além da alta chance de formação, os especialistas também monitoram a possibilidade de um evento mais intenso. As projeções atuais apontam 25% de probabilidade de um El Niño forte e outros 25% de chance de um episódio considerado muito forte — classificação usada quando as temperaturas na região central do Oceano Pacífico ficam mais de 2°C acima da média.
Apesar do sinal de alerta, cientistas afirmam que ainda existe elevada incerteza sobre a intensidade final do fenôeno. O Instituto Internacional de Pesquisa em Clima e Sociedade (IRI) ressalta que previsões feitas nesta época do ano costumam ter menor precisão, especialmente sobre a força do aquecimento oceânico. A expectativa é de que projeções mais confiáveis sejam obtidas apenas durante o próximo inverno.
O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele integra o ciclo chamado ENOS — El Niño Oscilação Sul — que também inclui o La Niña, marcado pelo resfriamento das águas do Pacífico tropical.
Mesmo sendo um fenôeno natural, seus efeitos podem alterar padrões climáticos em diferentes regiões do mundo. No Brasil, os impactos mais comuns incluem aumento das chuvas no Sul, secas na Amazônia e no Nordeste e ondas de calor mais frequentes no Centro-Oeste e Sudeste.
Eventos recentes já foram associados à atuação do El Niño. Em 2024, o Brasil enfrentou períodos de calor extremo e fortes tempestades no Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul.
Especialistas ressaltam, porém, que o fenômeno não causa desastres diretamente. O El Niño atua como um fator que aumenta a probabilidade de determinados eventos climáticos extremos acontecerem.
Outro ponto que amplia a preocupação dos climatologistas é o fato de o possível novo episódio ocorrer em um contexto de temperaturas globais já muito elevadas. O planeta atravessa uma sequência de recordes de calor nos oceanos e na atmosfera, cenário associado às mudanças climáticas provocadas pela emissão de gases de efeito estufa.
A combinação entre aquecimento global e um eventual El Niño forte pode ampliar impactos sobre agricultura, abastecimento de água, produção de energia e segurança climática em diferentes países nos próximos anos.