
O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para tratar de um quadro de pneumonia. Ele voltou aos cuidados do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, na quarta-feira, 14, dias após ter recebido alta de um internação para tratar uma hérnia crônica. Em nota, a unidade de saúde afirmou que o estado de saúde do líder indígena é estável.
Raoni lida com uma série de comorbidades, como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso e insuficiência cardíaca. No dia 7, ele teve a agenda cancelada e foi hospitalizado por fortes dores abdominais, resultado de uma hérnia antiga. Dois dias depois, foi liberado pela equipe médica. O cacique, então, voltou a passar mal. Na nova internação, apresentou agravamento do quadro respiratório e foi transferido para a UTI — uma medida preventiva, devido à idade avançada e necessidade de monitoramento constante.
Na semana passada, o Instituto Raoni informou que a agenda do líder kayapó estava suspensa por tempo indeterminado. Em nota divulgada nas redes sociais, a organização pediu para que “todos e todas acolham este momento com sensibilidade, permitindo que o Cacique possa receber os cuidados necessários e se recuperar com tranquilidade”. O comunicado também agradeceu pela onda de solidariedade.
O ativista é uma das principais vozes da militância pela proteção da Floresta Amazônica. No ativismo desde 1954, ele foi contra a construção da rodovia Transamazônica pela ditadura militar (1964-1985) na década de 1970 e, na redemocratização, lutou pelos direitos indígenas na Constituição de 1988. É Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e Grão-Mestre da Ordem Nacional do Mérito, a mais alta honraria do país, pelo trabalho merecedor “de reconhecimento pelo Estado brasileiro”.