O presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Jerome Powell, cujo mandato oficialmente terminou nessa sexta-feira (15/5), permanecerá no comando da autoridade monetária de forma interina, segundo anúncio feito pela própria instituição.

Powell seguirá na função até a posse do novo presidente do BC norte-americano, Kevin Warsh, indicado por Donald Trump e aprovado pelo Senado dos EUA para exercer um mandato de quatro anos à frente do Fed.

Ainda não há uma data definida para a posse de Warsh, mas ela deve ocorrer nas próximas semanas. É comum o atraso de alguns dias entre o nome do novo presidente do Fed ser chancelado pelo Senado e a posse propriamente.

Na última quarta-feira (13/5), o Senado dos EUA confirmou o nome de Warsh para a presidência do BC do país, com 54 votos favoráveis e 45 contrários. O indicado por Trump já havia sido sabatinado pela Casa e aprovado pelo Comitê Bancário do Senado.

Além dos quatro anos como presidente do Fed, Kevin Warsh cumprirá um mandato simultâneo de 14 anos como membro da diretoria da autoridade monetária. Apesar de deixar a presidência do BC dos EUA, Jerome Powell já manifestou sua intenção de continuar exercendo o cargo de diretor do Fed.

Fed manteve juros inalterados na última reunião

Na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, no fim de abril, o BC dos EUA decidiu manter os juros inalterados no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano. Nas duas reuniões anteriores do Fed, em janeiro e março, os juros também haviam sido mantidos nessa faixa.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

A decisão do BC dos EUA passou longe da unanimidade. Foram oito votos a favor da manutenção do patamar atual dos juros (Jerome Powell, John Williams, Michael Barr, Michelle Bowman, Lisa Cook, Philip Jefferson, Anna Paulson e Christopher Waller) e quatro contrários (Stephen Miran, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan).

Desde a posse de Trump, em janeiro do ano passado, o Fed promoveu três cortes na taxa de juros. Nas três últimas reuniões, em janeiro, março e agora em abril, houve manutenção.

Antes de Trump assumir a Casa Branca, o Fed tinha levado a cabo um ciclo de três quedas consecutivas dos juros nos EUA, que começou em setembro de 2024.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho, já sem Powell no comando do BC dos EUA.

Novo presidente do Fed

Durante a sabatina no Senado, o indicado pelo presidente dos EUA ao Fed responsabilizou a gestão do atual chefe do BC norte-americano, Jerome Powell, pela escalada da inflação no país após a pandemia de Covid-19, a partir de 2020. Para Warsh, a alta nos preços continua sendo “um grande problema” para a população.

“Embora seja verdade que a inflação esteja menos problemática neste momento, no sentido de que o ritmo de aumento dos preços é menos severo do que era havia alguns anos, os americanos trabalhadores ainda a sentem”, disse o futuro presidente do Fed durante audiência no Comitê Bancário do Senado.

“Isso significa que é necessária uma mudança de regime na condução da política monetária pelo Fed. Precisamos de um novo e diferente arcabouço para combater a inflação”, completou Warsh, sem fornecer maiores detalhes.

Na sabatina, o indicado por Trump à presidência do Federal Reserve garantiu que adotará uma postura de independência em relação ao mandatário da Casa Branca.

Desde o início de seu segundo mandato como presidente dos EUA, em janeiro de 2025, Trump elegeu o chefe do Fed, Jerome Powell, como um de seus maiores alvos. O republicano faz críticas frequentes ao BC norte-americano e cobra publicamente o corte dos juros. O mandato de Powell termina em maio.

“Presidentes (dos EUA) tendem a ser favoráveis à queda dos juros. Acho que a diferença é que o presidente Trump expressa isso de forma bastante clara”, afirmou Warsh.

Em seguida, o indicado ao comando do BC dos EUA assegurou que será independente à frente da autoridade monetária. “A independência cabe ao Fed. A liderança do Fed precisa decidir o que é a coisa certa a fazer”, disse.

Questionado pelo senador John Neely Kennedy, do estado da Louisiana, se seria um mero “fantoche” de Trump no Fed, Warsh foi enfático: “Absolutamente não. Atuarei de forma independente à frente do Federal Reserve”.

O indicado à presidência do Fed afirmou ainda que Trump jamais lhe pediu que assumisse qualquer compromisso em relação à eventual queda dos juros.

Nova era no Fed

Em janeiro deste ano, Donald Trump anunciou Kevin Warsh, ex-diretor do Fed, para a presidência da autoridade monetária.

“Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos grandes presidentes do Fed, talvez o melhor”, escreveu Trump, à época, nas redes sociais.

O perfil de Kevin Warsh é considerado o de alguém muito próximo do sistema financeiro, que conhece os bastidores de Wall Street como poucos – uma verdadeira “raposa” do mercado. Nos últimos anos, Warsh chamou atenção de Trump por vocalizar muitas das críticas ao sistema financeiro norte-americano feitas pelo próprio presidente dos EUA.

Kevin Warsh foi indicado para o Fed há 20 anos, em 2006, pelo então presidente dos EUA George W. Bush. Antes de chegar à diretoria da autoridade monetária, ele foi assistente especial de Bush para política econômica e secretário-executivo do Conselho Econômico Nacional.

Warsh fez parte do Conselho de Governadores do Fed, de 2006 a 2011, e acompanhou de perto a crise financeira de 2008 e o colapso de grandes bancos como o Lehman Brothers. O futuro presidente do Fed teve atuação importante nas negociações entre o Tesouro, o BC dos EUA e instituições financeiras. Até mesmo seus críticos reconhecem que Warsh tem excelente trânsito em Washington e Wall Street.

Nos últimos anos, a postura e a retórica de Kevin Warsh mudaram e ele passou a adotar um tom mais duro e crítico ao Federal Reserve. Em diversas entrevistas e pronunciamentos, o ex-diretor da autoridade monetária defendeu uma “mudança de regime” no Fed, com revisões sobre os instrumentos que levam o BC dos EUA a tomar suas decisões sobre a taxa de juros.

Em linhas gerais, Warsh está alinhado a Trump na defesa de uma política monetária menos contracionista, com a intensificação do corte de juros – o que agrada, em cheio, a Casa Branca. Por outro lado, o indicado por Trump também critica a expansão do balanço do Fed.

Em outubro do ano passado, em entrevista à Fox Business, Warsh foi enfático ao defender a redução da taxa de juros pelo Fed.

“Juros mais baixos, combinados com o tipo de revolução tecnológica que as políticas do presidente permitiram, com o enorme volume de investimentos que está acontecendo na economia doméstica e vindo do exterior, são a semente da nossa revolução de produtividade”, afirmou.

Composição do BC dos EUA

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed é composto por 12 membros: os sete integrantes do Conselho de Governadores do Sistema do Federal Reserve, o presidente do Federal Reserve de Nova York e quatro dos onze presidentes restantes do Federal Reserve, que cumprem mandatos de um ano em regime de rodízio.

A diretoria do Federal Reserve é composta por sete integrantes que cumprem mandatos de 4 a 14 anos – todos são indicados pela Presidência dos EUA. A indicação para o cargo de presidente do Fed é definida pela Casa Branca e confirmada por uma votação no Senado norte-americano a cada 4 anos.

Em 2022, Jerome Powell foi indicado pelo então presidente dos EUA, Joe Biden, para um segundo mandato à frente do Fed.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *