Em um país onde as mulheres ainda precisam percorrer caminhos mais longos para chegar aos cargos de liderança, a Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF) apresenta um cenário que chama atenção: dos 15 postos de chefia do órgão, oito são ocupados por mulheres. Nas subcontroladorias e nas chefias de assessorias, elas coordenam equipes, conduzem processos sensíveis e moldam a cultura institucional de um dos órgãos mais estratégicos do governo distrital.

Entre as atribuições da CGDF está a supervisão do Portal da Transparência, o controle interno, a correição administrativa, a coordenação das ouvidorias públicas do DF, a defesa do patrimônio público e ações de governança e compliance. É nesse ambiente técnico e exigente que a ouvidora-geral Daniela Pacheco e as subcontroladoras Graziella Brunale, Ismara Roza e Rejane Vaz constroem suas trajetórias.

Mulheres ocupam maioria dos cargos de chefia na Controladoria do DF - destaque galeria

Do lado esquerdo, Daniela Pacheco e Ismara Roza e do lado direito Rejane Vaz e Graziella Brunale
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Do lado esquerdo, Daniela Pacheco e Ismara Roza e do lado direito Rejane Vaz e Graziella Brunale

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A ouvidora-geral do DF, Daniela Pacheco, e a subcontroladora de Correição Administrativa Ismara Roza
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A ouvidora-geral do DF, Daniela Pacheco, e a subcontroladora de Correição Administrativa Ismara Roza

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As subcontroladoras Rejane Vaz e Graziella Brunale
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As subcontroladoras Rejane Vaz e Graziella Brunale

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A ouvidora-geral Daniela Pacheco e as subcontroladoras Graziella Brunale, Ismara Roza e Rejane Vaz
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A ouvidora-geral Daniela Pacheco e as subcontroladoras Graziella Brunale, Ismara Roza e Rejane Vaz

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Dos 15 postos de chefia da Controladoria-Geral do Distrito Federal, oito são ocupados por mulheres
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Dos 15 postos de chefia da Controladoria-Geral do Distrito Federal, oito são ocupados por mulheres

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Nas subcontroladorias e nas chefias de assessorias da CGDF, elas coordenam equipes e desempenham funções estratégicas
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Nas subcontroladorias e nas chefias de assessorias da CGDF, elas coordenam equipes e desempenham funções estratégicas

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Ouvidoria

À frente da Ouvidoria-Geral da CGDF há mais de um ano e meio, Daniela Pacheco afirma que ocupar um cargo de liderança voltado diretamente ao atendimento da população é resultado de uma trajetória marcada por esforço e dedicação. Antes da CGDF, ela atuou por 12 anos na ouvidoria da Procuradoria-Geral do Distrito Federal.

Segundo Daniela, o trabalho da ouvidoria transforma as manifestações da população em ferramentas de gestão pública.

“Por meio da voz do cidadão, a gente acolhe as demandsa da população e as transforma em ferramenta de gestão para melhoria dos serviços públicos”, explicou.

Para a ouvidora, ser mulher é um diferencial nesse tipo de atuação. Ela acredita que a escuta ativa e a empatia são características que as mulheres exercem naturalmente e contribuem para um ambiente mais acolhedor e eficiente.

“Eu acho que a presença feminina traz sensibilidade e acolhimento. Traz aquele olhar quentinho para todas as demandas. Então, faz diferença porque humaniza o atendimento”, destacou.

Daniela também relembra que, ao longo da carreira, precisou provar sua capacidade em diferentes momentos.

“É maravilhoso estar dentro de uma Controladoria, perto de grandes mulheres e ser chefiada por uma liderança que enaltece o tempo todo o nosso trabalho”, afirmou.

Daniela Pacheco é ouvidora-geral a um ano e meio
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Daniela Pacheco é ouvidora-geral a um ano e meio

Em sua trajetória, Daniela relembra que precisou provar sua capacidade em diferentes momentos
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Em sua trajetória, Daniela relembra que precisou provar sua capacidade em diferentes momentos

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Daniela acredita que a escuta ativa e a empatia contribuem para um ambiente mais acolhedor e eficiente
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Daniela acredita que a escuta ativa e a empatia contribuem para um ambiente mais acolhedor e eficiente

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Controle Interno

Atuando como Subcontroladora de Controle Interno da CGDF desde 2022, Graziella Brunale entrou no órgão em 2017. Formada em Engenharia Elétrica pela Universidade de Brasília (UnB), ela construiu carreira em uma área historicamente ocupada uma maioria masculina.

Segundo Graziella, a experiência à frente da subcontroladoria tem sido desafiadora, mas também recompensadora. Para ela, a presença feminina na auditoria interna contribui para relações mais empáticas e para uma escuta mais qualificada.

“Naturalmente as mulheres têm uma postura mais empática. Na área de auditoria, isso é extremamente relevante. Você precisa praticar a escuta ativa e entender o contexto do auditado, e aí sim, recomendar. Essa é uma qualidade que realmente é natural, não digo apenas das mulheres, mas natural das mulheres e que agrega muito valor”, afirmou.

Graziella reconhece que muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades na ascensão profissional, mas avalia que o preparo técnico e o comprometimento são fundamentais para ocupar cargos de liderança: “Eu acho que se há preparo, domínio, comprometimento, responsabilidade e coragem, você consegue avançar”, disse.

Ela também destaca que a CGDF se consolidou como um espaço de oportunidades para mulheres em posições estratégicas.

“Se tem um espaço em que há oportunidades iguais, é no serviço público. A gente costuma ver mais líderes mulheres no serviço público e isso é muito legal”, constatou.

Subcontroladora de Controle Interno da CGDF desde 2022, Graziella Brunale entrou na CGDF em 2017
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Subcontroladora de Controle Interno da CGDF desde 2022, Graziella Brunale entrou na CGDF em 2017

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Para Graziella, liderança vai além de gênero e está diretamente relacionada à trajetória e à experiência de cada profissional
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Para Graziella, liderança vai além de gênero e está diretamente relacionada à trajetória e à experiência de cada profissional

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Graziella avalia que preparo técnico e comprometimento são fundamentais para ocupar cargos de liderança
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Graziella avalia que preparo técnico e comprometimento são fundamentais para ocupar cargos de liderança

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Para a subcontroladora, a liderança vai além de gênero e está diretamente relacionada à trajetória e à experiência de cada profissional.

“Na minha experiência eu trabalhei com mulheres muito firmes, muito duras e também sensíveis. Acho que o líder se forma de acordo com a sua trajetória”, destacou.

Para jovens que desejam ocupar espaços de liderança, Graziella deixa um conselho em três partes: dominar o campo de atuação, desenvolver habilidades humanas, como relacionamento e escuta, e aprender a se comunicar de forma estratégica.

“Não adianta você ser super competente e não se comunicar bem. Você tem que saber comunicar de maneira estratégica assuntos técnicos. Isso é essencial”, completou Graziella.

Correição administrativa

Atualmente, a CGDF conta com 163 servidores homens e 134 mulheres no quadro funcional, sem considerar os servidores cedidos a outros órgãos.

É nesse contexto que a subcontroladora de Correição Administrativa, Ismara Roza, desenvolve um trabalho voltado à escuta ativa e ao acolhimento dos servidores.

Com 20 anos de serviço público, ela afirma que os desafios começaram cedo, por ter vindo de uma família humilde e ter sido a primeira a cursar uma faculdade.

A subcontroladora de Correição Administrativa, Ismara Roza
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A subcontroladora de Correição Administrativa, Ismara Roza

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Ismara atua na apuração de condutas e situações levadas pelos cidadãos
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Ismara atua na apuração de condutas e situações levadas pelos cidadãos

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 Para Ismara, seu trabalho exige equilíbrio entre firmeza técnica e sensibilidade
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Para Ismara, seu trabalho exige equilíbrio entre firmeza técnica e sensibilidade

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“Eu tenho muito orgulho da minha essência e de onde eu venho. Por conta disso, eu estudei e me esforcei muito. Acho que a mulher tem espaço. Precisamos buscar ser técnicas e não aceitar certas situações”, avalia Ismara.

Na área de Correição Administrativa, Ismara atua na prevenção e apuração de irregularidades no âmbito da Administração Pública. Segundo ela, o trabalho exige equilíbrio entre firmeza técnica e sensibilidade.

“Precisamos ser firmes e técnicas. Então eu estudo muito e procuro saber de tudo que está acontecendo. Mas eu acho que é necessário ter sensibilidade em alguns casos também”, explicou.

Ela relembra um episódio em que uma servidora afirmou que só falaria sobre determinada situação se fosse atendida por ela. Para Ismara, o momento simbolizou a confiança construída ao longo da carreira. Ela comenta que na CGDF encontrou um ambiente diferente que passa segurança para as mulheres que atuam no órgão.

“É um lugar que respeita a sua equipe técnica. Quando você é justa, íntegra, faz e entrega o melhor para a sociedade, você é reconhecida. Mesmo sendo mulher e passando por situações desafiadoras, você tem esse reconhecimento que faz toda diferença”, destacou Ismara.

Para ela, ver outras mulheres ocupando espaços estratégicos dentro da Controladoria tem impacto diário na cultura institucional. “A mulher é brilhante e ela tem que demonstrar isso”.

Ismara comenta que a CGDF mantém iniciativas voltadas à valorização feminina e à promoção de mulheres para cargos de liderança. Ela destaca que, além das subcontroladoras, há coordenadoras e diretoras em posições estratégicas.

A subcontroladora também reforça o papel da CGDF na fiscalização, orientação e apoio aos órgãos do GDF. O órgão atua na criação de manuais, portarias e orientações técnicas.

Transparência e controle social

Servidora do Governo do Distrito Federal (GDF) desde 1994, Rejane Vaz integra a CGDF desde a criação do órgão, em 2002. Ela assumiu a Subcontroladoria de Transparência e Controle Social em 2020 após anos atuando com a Lei de Acesso à Informação e o Portal da Transparência.

Segundo Rejane, liderar a área exige capacidade técnica, responsabilidade e habilidade de diálogo com os órgãos responsáveis pela produção dos dados públicos.

“Liderar a área de transparência é um desafio diário. Temos que trabalhar com bastante capacidade técnica e responsabilidade, além de ter uma capacidade de diálogo muito grande com os órgãos que são os produtores dos dados”, disse.

“Além de se fazer ouvir, é preciso conscientizar os gestores e os servidores para que eles entendam a importância do direito de acesso à informação e da importância de manterem seus dados e informações organizados para a transparência ser cada vez mais forte”, acrescenta Rejane.

Ela reconhece que, em alguns momentos da carreira, precisou passar por provações por ser mulher.

Servidora do Governo do Distrito Federal (GDF) desde 1994, Rejane Vaz integra a CGDF desde a criação do órgão, em 2002
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Servidora do Governo do Distrito Federal (GDF) desde 1994, Rejane Vaz integra a CGDF desde a criação do órgão, em 2002

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Para Rejane, o momento mais desafiador da trajetória ocorreu logo após assumir a subcontroladoria, em março de 2020, quando teve início a pandemia de Covid-19
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Para Rejane, o momento mais desafiador da trajetória ocorreu logo após assumir a subcontroladoria, em março de 2020, quando teve início a pandemia de Covid-19

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Rejane relata o esforço e comprometimento para fazer os gestores entenderem a importância da transparência
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Rejane relata o esforço e comprometimento para fazer os gestores entenderem a importância da transparência

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Para Rejane, o momento mais desafiador da trajetória ocorreu logo após assumir a subcontroladoria, em março de 2020, quando teve início a pandemia de Covid-19.

Enquanto gestores estavam focados na abertura de leitos, compra de medicamentos e vacinas, ela precisava garantir a transparência das informações públicas relacionadas à crise sanitária.

“Foi um desafio muito grande porque a maioria dos gestores na época que cuidavam dos dados, eram homens. Então eu tive que fazer com que eles entendessem a importância da transparência”, relembrou.

Apesar das dificuldades, ela destaca o resultado positivo: o GDF alcançou posições de destaque nos índices de transparência relacionados à Covid-19.

Sobre a predominância feminina nos cargos de chefia da CGDF, Rejane afirma que o cenário é resultado de uma conquista construída ao longo dos anos.

Ela também avalia que houve uma mudança significativa no comportamento das mulheres dentro do serviço público ao longo das últimas décadas.

 “Eu acho que antes as mulheres tinham muito medo de assumir cargos de liderança. Hoje, não. Atualmente, as mulheres têm mais coragem e muita competência”, afirmou.

Para Rejane, a liderança feminina amplia o olhar institucional e fortalece características como diálogo, escuta e equilíbrio nas relações de trabalho.

Segundo ela, a CGDF mantém uma cultura institucional voltada à valorização feminina, com campanhas internas, ações no mês da mulher e apoio da alta gestão.

Ao deixar um conselho para jovens mulheres que desejam seguir carreira no serviço público e ocupar cargos de chefia, Rejane afirma que o mais importante é não esperar o momento perfeito.

“Não esperem estar 100% preparadas porque liderança você vai construindo no caminho. Procure se capacitar, ter conhecimento e também uma rede de apoio, que é uma forma importante de conseguir se manter e dividir suas preocupações”, concluiu.



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