O governo dos Estados Unidos solicitou à FAA (Administração Federal de Aviação) que avalie os riscos da construção do “arco do triunfo” que Donald Trump quer a menos de três quilômetros do aeroporto Ronald Reagan, de Washington, D.C., um dos mais movimentados do país.

Segundo documentos obtidos pela CNN, o Departamento do Interior dos EUA solicitou à Administração Federal de Aviação um estudo aeronáutico formal para o arco proposto de 76 metros, que seria construído em um gramado no final da Ponte Memorial, em frente ao Lincoln Memorial.

O pedido, apresentado pelo Serviço de Parques Nacionais, uma divisão do Departamento do Interior, observa que a altura total da estrutura será de 85 metros quando se considera a elevação do terreno sob o próprio arco.

As normas da FAA exigem que estruturas com mais de 60 metros de altura localizadas em áreas que possam interferir no espaço aéreo sejam submetidas a uma avaliação.

A agência afirma que pretende concluir esse processo em um prazo de 45 a 90 dias, mas normalmente isso leva muito mais tempo, podendo chegar a nove meses.

A FAA confirmou ter recebido a solicitação e informou à CNN que já havia iniciado o estudo, mas se recusou a fornecer um cronograma para a revisão do arco.

Os pilotos já precisam lidar com diversos perigos durante a descida ou subida pela rota de voo de “aproximação norte”, que exige que eles façam uma curva para evitar colisões com o Pentágono, o Monumento a Washington e outros pontos turísticos de Washington, D.C.

A adição do arco do presidente Donald Trump complicará ainda mais o sobrevoo do corredor, que já foi palco de acidentes de grande repercussão e muito analisados, incluindo a colisão entre um avião da American Airlines e um helicóptero Black Hawk no ano passado, e a queda na ponte da 14th Street em 1982, durante a decolagem.

Os planos para a estrutura devem ser aprovados pela Comissão de Belas Artes e pela Comissão Nacional de Planejamento da Capital, duas agências governamentais que supervisionam os edifícios federais em Washington.

Assim como em muitos projetos propostos por Trump, como a construção de um novo salão de baile na Casa Branca e a mudança do nome do Kennedy Center, pessoas próximas ao presidente temem que os comitês, compostos por pessoas leais a ele, aprovem o arco sem levar em consideração os riscos.

“Receio que, independentemente de quaisquer defeitos no projeto do arco, ele será imposto pelos órgãos governamentais que precisam aprová-lo”, disse uma fonte próxima às comissões.

A NCPC (Comissão Nacional de Planejamento da Capital) afirmou que “trabalha regularmente com outras agências que desempenham funções de revisão para garantir que as revisões sejam sincronizadas”.

“Esperamos seguir a mesma abordagem aqui”, disse o comitê à CNN, mas afirmou que ainda não possui um cronograma específico para a revisão.

A CFA, que já aprovou um conjunto preliminar de projetos para o arco, afirmou ter recebido um conceito revisado para análise em sua reunião de 21 de maio, mas não soube dizer se “os integrantes da Comissão levarão em consideração a questão levantada pela FAA para afetar o cronograma de suas ações”.

Obstrução de construção

Desde que Trump anunciou sua proposta de um arco em Washington que ajudaria a comemorar o 250º aniversário dos Estados Unidos, surgiram preocupações sobre seu tamanho, o impacto em seu entorno e a velocidade com que ele prometeu construí-lo.

Ele já havia declarado a repórteres que deveria ser “o maior de todos”, visto que os EUA são “a maior e mais poderosa nação”, e em dezembro afirmou que desejava que a construção começasse em dois meses.

Normalmente, um pedido à FAA para realizar uma análise de obstrução é feito 45 dias antes do início de qualquer construção. O presidente pode prosseguir com o projeto sem a determinação final da agência.

A FAA emitirá então uma “Determinação de Ausência de Perigo” ou uma “Determinação de Perigo”.

Caso seja identificado algum risco, a administração terá 60 dias para ajustar o projeto – podendo reduzir a altura ou instalar sinalização de perigo para torná-lo mais visível às aeronaves, entre outros ajustes para aumentar a segurança da aviação.

Questionado sobre a avaliação, um funcionário da Casa Branca afirmou que o arco “não terá nenhum efeito sobre os voos de e para o aeroporto nacional Reagan“.

 



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