Em meio a crise provocada pelas revelações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, disse nesta nesta sexta-feira (15/5) que estão tentando colocar “um muro” entre ele e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), importante cabo eleitoral no maior estado do país.
Pré-candidato à reeleição, o chefe do Executivo paulista é coordenador da campanha do filho de Jair Bolsonaro (PL) em São Paulo, mas não tem demonstrado empenho na candidatura presidencial do parlamentar carioca.
“Tarcísio, eu sei a pressão que você sofre. A tentativa a todo momento de colocar um muro entre nós e tentar nos separar. É porque eles sabem que [com] a gente junto, ninguém segura São Paulo”, disse Flávio, chamando o governador de “extraordinário”.
Nos bastidores, Tarcísio tem demonstrado incômodo com o impacto que a relação entre Flávio e Vorcaro, exposta com o áudio do senador do PL pedindo dinheiro ao banqueiro para financiar um filme sobre seu pai, pode ter na sua campanha à reeleição em São Paulo. Em público, no entanto, o governador tem dito que Flávio já explicou o contexto da troca de mensagens com o dono Master.
O recado de Flávio a Tarcísio nesta sexta aconteceu no final da fala do senador, no evento que marcou o lançamento da pré-candidatura ao Senado do deputado federal Guilherme Derrite (PP), em Campinas, no interior paulista.
Antes, Tarcísio já havia discursado e citou que a eleição de Flávio ao Palácio do Planalto melhoraria os investimentos do governo federal em São Paulo.
“Eu fico imaginando o quanto nós avançamos aqui no estado de São Paulo sem ter o apoio, sem ter a parceria do governo federal. Agora, imagina o que aconteceria nesse estado se a gente tivesse a mão do governo federal, o quanto de investimento nós teríamos em São Paulo com Flávio Bolsonaro [no Planalto]”, disse Tarcísio.
Apesar da fala de Tarcísio, o governo a gestão Lula (PT) tem feito uma série de parcerias com o estado, como a obra do túnel Santos Guarujá, e deve usar isso como propaganda na campanha de Fernando Haddad (PT) ao estado.
Relação de Flávio com Vorcaro
Segundo reportagem do site Intercept Brasil, Vorcaro pagou aproximadamente R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico de Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse. Os recursos foram solicitados pelo senador e pré-candidato do PL à Presidência.
Diálogos divulgados pelo site mostram Flávio e Vorcaro falando sobre o filme. Uma das conversas ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.
Até a publicação da reportagem, o senador negava ter relações com o banqueiro. Após a divulgação dos documentos, porém, o filho de Jair Bolsonaro (PL) admitiu ter buscado recursos privados para financiar o filme nos Estados Unidos.
Questionado sobre a mudança de versão, o parlamentar pediu desculpas por ter negado a relação, alegou receio de perseguição política e disse que não falou antes sobre o tema porque tem um contrato de confidencialidade ligado ao filme.
“Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores”, disse o pré-candidato, em entrevista à GloboNews, nessa quinta-feira (14/5).
Segundo reportagem do Intercept Brasil, os recursos pagos por Vorcaro passaram pela empresa Entre Investimentos e Participações e pelo fundo de investimentos Havengate Development Fund LP, que é administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto.
Como mostrou o Metrópoles, a Polícia Federal (PF) apura se parte dos recursos ligados ao filme pode ter sido usada, indiretamente, para financiar a permanência do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos e ações de articulação política com o governo do presidente Donald Trump.
Flávio diz que o dinheiro de Vorcaro foi utilizado inteiramente para a produção.
Eduardo Bolsonaro
Um contrato assinado por Eduardo Bolsonaro em janeiro de 2024 mostra que ele foi um dos produtores-executivos do filme Dark Horse. Segundo o Intercept Brasil, o contrato coloca a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora, e Eduardo e o deputado federal Mario Frias (PL) como produtores-executivos.
Entre outras funções descritas no documento, Eduardo teria responsabilidade sobre as decisões sobre como os recursos do filme Dark Horse seriam captados e gastos.
Depois da publicação do Intercept foi ao ar, Eduardo voltou a dizer que não recebeu dinheiro do filme ou da Entre Investimentos, empresa responsável por intermediar os repasses entre Daniel Vorcaro e a produção do Dark Horse.
Em um vídeo publicado no Instagram, Eduardo disse que o contrato com a produtora divulgado pela reportagem foi assinado após ele depositar U$ 50 mil para “segurar” nomes de Hollywood para o filme e foi desfeito depois.
“Quando essa estrutura [do filme] passou a ser uma estrutura de fundo de investimento, começou a ter outra estrutura, eu saí dessa posição de diretor-executivo, que era o contrato antigo com a produtora, e passei, então, a ser somente uma pessoa que assinou a sua cessão direitos autorais para que um ator pudesse me representar no filme”, disse o ex-deputado.







