O economista Rodrigo Zeidan, professor da New York University Shanghai, afirmou que a relação entre Estados Unidos e China vive uma “negociação intertemporal”, marcada por aproximações e afastamentos ao longo do tempo. Segundo ele, o presidente norte-americano, Donald Trump, acelerou um processo de desacoplamento entre as duas economias iniciado ainda em seu primeiro mandato.
“Trump começou um processo de desacoplamento das duas economias no primeiro mandato, quando começou a primeira rodada de tarifas, acelerou isso agora e está colhendo o que plantou”, disse Zeidan, em entrevista ao jornal WW, da CNN Brasil.
“Ele plantou um pouco de estresse na relação entre Estados Unidos e China, para ficar no eufemismo, e está ganhando muito mais do que isso”, acrescentou.
Na avaliação do professor, os chineses têm vantagem estratégica por não estarem submetidos ao mesmo ciclo político dos americanos.
“Os chineses têm uma grande vantagem: não têm o ciclo político curto dos americanos. À medida que o governo Trump vai acabando, ele fica mais suscetível a algumas pressões, e eu acho que é o que está acontecendo”, afirmou.
Zeidan, que também leciona na FDC (Fundação Dom Cabral), ainda destacou que os dois países utilizam instrumentos econômicos e políticos como forma de pressão nas negociações. De acordo com ele, os EUA recorrem ao peso das grandes empresas de tecnologia, enquanto a China utiliza sua própria influência econômica.
“Os chineses estão usando o que têm de alavanca de negociação, e os Estados Unidos também. Eles levam as big techs, levam o Elon Musk”, destacou.
“O Trump fica falando que é uma questão de comércio, que gostaria de aumentar o comércio, mas foi ele que colocou as tarifas e criou esse novo regime protecionista mundial”, ressaltou o economista.
Para Zeidan, a relação entre as duas potências continuará alternando momentos de maior tensão e períodos de aproximação.
“Isso é uma questão de negociação ao longo do tempo. É interessante ver como essas duas nações vão se aproximando, se afastando, se aproximando, se afastando. Eu acho que é só mais uma etapa num processo que está muito longe de acabar”, concluiu.