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Até a última quarta-feira, 13, porta-vozes do Partido dos Trabalhadores e do governo Lula tentavam associar o escândalo do Banco Master à figura do senador Flávio Bolsonaro por uma espécie de constrangimento de associação, exibindo nas redes sociais um organograma de aliados do pré-candidato do PL à Presidência e de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que teriam contribuído para o agigantamento da pirâmide financeira de Daniel Vorcaro. Ex-chefe da Secom e hoje líder do governo na Câmara, o deputado Paulo Pimenta cunhou o termo “bolsomaster” para servir de slogan dessa campanha.

Eram alvo da ofensiva petista figuras como o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, os ex-ministros Paulo Guedes, João Roma e Onyx Lorenzoni e, mais recentemente, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-chefe da Casa Civil que sofreu buscas da Polícia Federal. Os apoiadores de Lula também lembravam as doações de Fabiano Zettel, cunhado e suposto operador financeiro de Vorcaro, às campanhas do próprio Jair Bolsonaro e do então candidato a governador de São Paulo Tarcísio de Freitas em 2022.

A revelação do áudio do Zero Um cobrando dezenas de milhões de dólares de patrocínio do dono do Master para a cinebiografia mitificante sobre seu pai caiu como uma dádiva dos céus para a militância do PT, que passou a contar com substância mínima para emplacar a narrativa de que o parlamentar teria ligação com a maior fraude bancária da história do país – ainda que a gravação, por si só, não enseje a suspeita imediata de qualquer crime. 

Caberá à Polícia Federal investigar se um apoio financeiro de tamanha dimensão — 134 milhões de reais no plano original, e pagamento efetivo de 61 milhões de reais, segundo o Intercept Brasil — significou ou poderia significar a prestação de uma contrapartida política de interesse do Master por Flávio Bolsonaro. Outro caminho é apurar se o dinheiro, enviado por uma empresa ligada a Vorcaro para um fundo no Texas, nos Estados Unidos, serviu para custear a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em autoexílio no estado americano.

É claro que, aos olhos da militância petista, pouco importa, neste momento, se as informações reveladas sobre a proximidade do Zero Um com o ex-dono do Master configura alguma ilegalidade. O slogan do “bolsomaster”, repisado até aqui apenas por associações indiretas com o presidenciável do PL, ganhou sobrevida. Nas 24 horas seguintes à revelação do áudio, perfis ligados ao PT nas redes sociais publicaram nada menos que 172 posts sobre o episódio, segundo monitoramento do instituto Democracia em Xeque.



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