Em vídeo exibido durante o lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite (PP) ao Senado, neste sábado (16), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirma que o Brasil precisa do “método Bukele” para combater o crime organizado.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que atualmente vive nos Estados Unidos, declarou apoio ao ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo na disputa pelo Senado. Durante o discurso, defendeu a adoção de um modelo de combate ao crime inspirado na política de segurança implementada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
“Derrite, junto com nosso presidente Flávio Bolsonaro [PL], vai colocar o Brasil no método Bukele para, de fato, nós conseguirmos combater o crime organizado.”
Entenda o que é o “método Bukele”
Nayib Bukele chegou ao poder em 2019, derrotando os partidos tradicionais de El Salvador com a promessa de eliminar a violência das gangues e rejuvenescer a economia estagnada do país.
Em 2020, ele autorizou o uso da força letal pela polícia e pelo Exército contra integrantes de gangues que ele disse estarem se aproveitando da pandemia de coronavírus, depois que um fim de semana de violência deixou pelo menos 50 pessoas mortas em todo o país.
Desde 2022, El Salvador está sob estado de exceção, aprovado pela Assembleia Legislativa a pedido de Bukele, com a justificativa de combater a então crescente taxa de homicídios.
O decreto do regime de emergência, que foi prorrogado várias vezes pela Assembleia Nacional, implica a suspensão de direitos constitucionais e permite encarceramentos em massa. Mais de 90 mil pessoas foram detidas nos últimos anos, embora Bukele garanta que cerca de 10% foram soltas.
O governo também inaugurou o Cecot (Centro de Confinamento do Terrorismo) em 2023, uma megaprisão para onde enviou milhares de pessoas acusadas de estarem ligadas a gangues.
O Cecot passou a receber ainda mais atenção do público depois que o presidente americano, Donald Trump, fechou um acordo com El Salvador para receber centenas de supostos integrantes da gangue venezuelana Tren de Aragua deportados dos EUA.
Método é questionado por analistas e observadores
Analistas e observadores internacionais têm questionado as práticas do governo salvadorenho, considerando que elas “violam sistemicamente” os direitos humanos.
Organizações como a Human Rights Watch e o Comitê contra a Tortura da ONU criticam o que consideram ser violações dos direitos da população.
Os familiares de vários detidos denunciaram as prisões e as classificaram como injustas, alegando que muitos dos presos não têm qualquer relação com as gangues.
Mais recentemente, a Assembleia Legislativa de El Salvador aprovou reformas na Constituição, que, entre outras medidas, incluem a possibilidade de condenar menores de 12 anos à prisão perpétua, segundo uma publicação no Diário Oficial.
Os deputados estabeleceram que seria aplicada prisão perpétua às pessoas condenadas por crimes como homicídio, feminicídio e estupro.
O Comitê dos Direitos da Criança e o Fundo das Nações Unidas para a Infância expressaram a sua “profunda preocupação” com a aprovação destas reformas. Para estas organizações, os adolescentes em conflito com a lei devem receber um tratamento que “priorize a sua reabilitação e reintegração” e que a prisão seja o “último recurso e pelo menor tempo possível”, segundo um comunicado.
Por sua vez, o gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu que as autoridades de El Salvador “revisem prontamente” as alterações à Constituição que descreveram como “preocupantes” porque contradizem as normas internacionais.
Redução na taxa de homicídios
Paralelamente às supostas violações dos direitos humanos e detenções arbitrárias, que o governo Bukele nega, El Salvador reduziu drasticamente as taxas de homicídio, após anos de ondas de violência nas mãos de gangues.
O governo reporta estes números apenas através de declarações de autoridades ou da presidência, mas desde abril de 2022 não permite o acesso a estatísticas detalhadas sobre crimes como homicídios, afirmando que esta informação será confidencial durante sete anos.
O governo salvadorenho afirma que esta redução da violência é uma das razões pelas quais Bukele tem grande aprovação entre os cidadãos.
Em 2024, Nayib Bukele se tornou o primeiro presidente salvadorenho a ser reeleito em mais de um século após uma manobra de seu partido, que controla o Congresso, destituir integrantes da Suprema Corte e apontar novos magistrados que permitiram que ele concorresse novamente.
Desde então, o Congresso de El Salvador aprovou em 2025 uma reforma constitucional que permite reeleição por tempo indeterminado.
“Sabe de uma coisa? Não me importo que me chamem de ditador. Prefiro ser chamado de ditador a ver salvadorenhos sendo mortos nas ruas”, afirmou Bukele no discurso de posse do segundo mandato.