O terceiro julgamento de Harvey Weinstein em Nova York, nos Estados Unidos, foi anulado nesta sexta-feira, 15. Após dias de deliberação, o júri não conseguiu chegar a um consenso sobre a acusação de estupro feita pela atriz Jessica Mann, levando o juiz responsável pelo caso a declarar o encerramento do processo sem veredito. Apesar da decisão, Weinstein, de 74 anos, seguirá preso devido a outras condenações por crimes sexuais.

A decisão representa mais um capítulo da longa batalha judicial envolvendo o ex-magnata de Hollywood, cuja queda ajudou a desencadear o movimento #MeToo e abriu espaço para denúncias de abuso sexual contra homens poderosos da indústria do entretenimento.

O julgamento mais recente se concentrou na denúncia de Mann, que acusa o antigo produtor de tê-la estuprado em um hotel de Manhattan, em 2013. Segundo a acusação, ela resistiu ao ataque e repetiu diversas vezes a palavra “não”.

Weinstein se declarou inocente da acusação de estupro em terceiro grau e negou ter cometido abusos sexuais ou mantido relações sem consentimento. A defesa sustentou que o relacionamento entre os dois foi consensual e argumentou que Mann teria feito a denúncia após se decepcionar com a falta de avanço em sua carreira no cinema.

Em comunicado, o promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg, criticou o resultado, mas destacou o respeito à decisão do júri. “Vamos considerar nossos próximos passos em consulta com a Sra. Mann”, declarou.

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Caso virou símbolo do #MeToo

Durante décadas, Weinstein esteve entre os nomes mais influentes do cinema americano. Cofundador da Miramax, ele acumulou prestígio em Hollywood antes de ser alvo de denúncias de assédio, abuso e violência sexual feitas por dezenas de mulheres.

Em 2020, o ex-produtor foi condenado em Nova York por estupro e agressão sexual, recebendo pena de 23 anos de prisão. A condenação, porém, acabou anulada posteriormente pela mais alta corte do estado, que considerou que o julgamento havia sido prejudicado por falhas processuais. A reversão obrigou a Justiça americana a retomar parte do caso em novos julgamentos.

No ano passado, Weinstein voltou a ser condenado pelo abuso sexual da ex-assistente de produção Miriam Haley, mas foi absolvido da acusação envolvendo a ex-modelo Kaja Sokola. Já a acusação relacionada a Jessica Mann permaneceu sem consenso entre os jurados — situação que voltou a se repetir agora.

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‘Impasse irreversível’

Durante o terceiro dia de deliberações, os jurados informaram ao juiz que estavam em impasse. O juiz Curtis Farber chegou a pedir que o grupo continuasse tentando alcançar uma decisão, mas depois afirmou que havia um “impasse irreversível”. Segundo o magistrado, não havia motivo para prolongar as discussões.

Uma nova audiência foi marcada para 25 de junho, quando acusação e defesa deverão discutir os próximos passos do processo. Além dos processos em Nova York, Weinstein também foi condenado por estupro na Califórnia, em 2022, e cumpre pena de 16 anos de prisão no estado. A defesa tenta reverter a decisão na Justiça.



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