
Um surto de ebola já deixou 65 mortos na República Democrática do Congo, informaram autoridades de saúde nesta sexta-feira, 15. Foram registrados 246 casos suspeitos da febre hemorrágica na província de Ituri, na fronteira com Uganda e Sudão do Sul. Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça vômitos, podendo evoluir para hemorragias e falência múltipla de órgãos em casos mais graves. Trata-se de uma doença com alta taxa de mortalidade, de 50%, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Autoridades do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC, na sigla em inglês) alertaram para o risco de disseminação em razão do “intenso fluxo populacional entre as áreas afetadas e os países vizinhos”. Ituri abriga cidades mineradoras com constante vaivém de pessoas. O Ministério da Saúde de Uganda já confirmou um surto e que um homem de 59 anos morreu em um hospital de Kampala em decorrência da doença, contraída numa viagem ao Congo.
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O ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais, como sangue ou vômito de infectados, ou com cadáveres, no caso de preparação do corpo para funerais. Desde que o vírus foi identificado em 1976, o Congo já enfrentou 16 surtos da doença — no geral, da cepa Zaire do Ebola, que tem vacinas disponíveis. O surto de 2014-2016 na África Ocidental deixou 11 mil mortos. As amostras testadas desta vez, no entanto, são da cepa Bundibugyo, ainda sem imunizante licenciado, o que torna o panorama ainda mais preocupante.
“A República Democrática do Congo frequentemente registra mortes por Ebola. Provavelmente, há uma combinação perfeita de fatores que causam esses surtos regulares”, afirmou Michael Head, pesquisador sênior em saúde global na Universidade de Southampton, ao jornal britânico The Guardian.
“O contato humano próximo com reservatórios animais, muito provavelmente morcegos, mas possivelmente também primatas, é um fator. Outras preocupações incluem a movimentação de pessoas entre ambientes rurais e urbanos, o clima tropical e a alta cobertura de floresta tropical”, acrescentou ele.