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O Estado-Maior Central, dissidência da extinta guerrilha das Farc, anunciou nesta sexta-feira, 15, uma trégua nas suas “operações militares” devido às eleições presidenciais da Colômbia, marcadas para 31 de maio. Em comunicado, a organização liderada pelo guerrilheiro Iván Mordisco, o homem mais procurado do país e apontado como “herdeiro de Pablo Escobar” pela violência com bombas, anunciou uma trégua de 21 dias para o pleito.
De acordo com os combatentes, a ideia é dar “condições de tranquilidade suficiente para que o povo colombiano vá maciçamente às urnas”, iniciativa que, embora vista com desconfiança, seria bem-vinda em meio a um processo eleitoral marcado pela violência. No ano passado, o senador Miguel Uribe, principal nome da oposição para candidatura presidencial, morreu vítima de um atentado a tiros em Bogotá.
Atualmente, os principais nomes para assumir a liderança do país são Ivan Cepeda, esquerdista e herdeiro do presidente Gustavo Petro; e os candidatos direitistas que prometem adotar uma postura linha dura contra o crime: a senadora Paloma Valencia e o advogado milionário Abelardo de la Espirella — que tem feito discursos protegido por uma estrutura à prova de balas após receber ameaças de morte.
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Guerrilheiros
Quando as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) firmaram um acordo de paz com Bogotá para se desarmar em 2016, uma ala da organização se recusou a aceitar o novo cenário. Comandada por Iván Mordisco, um grupamento formado por 400 guerrilheiros anunciou que não se desmobilizaria, iniciando um processo que levaria à consolidação do chamado Estado-Maior Central como a mais poderosa entre as dissidências das Farc.
Embora o presidente Gustavo Petro tenha promovido esforços para encerrar o conflito de longa data no país por meio da chamada política de “paz total”, o EMC se mostrou pouco disposto a negociar qualquer trégua. Além disso, a organização de Mordisco ainda foi responsável pelo pior ataque contra civis em décadas, ao explodir uma rodovia no final de abril, matando 21 pessoas.
Historicamente, grupos armados colombianos promoveram ataques em período eleitoral para pressionar governos e influenciar disputas políticas. A evolução tecnológica também aumenta o risco envolvendo esses incidentes, uma vez que as autoridades colombianas acreditam que as guerrilhas têm utilizado novos equipamentos em suas ofensivas, como drones equipados com explosivos.