A operação deflagrada nesta sexta-feira, 15, pela Polícia Federal contra o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) empurra sua já combalida situação política para um cenário próximo da inviabilidade eleitoral. Se antes a candidatura ao Senado dependia de uma reversão improvável no Supremo Tribunal Federal (STF), agora o cerco policial adiciona um novo componente de desgaste político e jurídico que dificulta ainda mais sua sobrevivência política.

Castro já carregava um passivo incômodo. Em março, ele renunciou ao governo às vésperas do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o deixou inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A estratégia de deixar o cargo antes da decisão foi interpretada por ministros do STF como uma tentativa de escapar da cassação formal e influenciar indevidamente a sucessão fluminense.

Nos bastidores do Supremo, o ambiente nunca foi favorável ao ex-governador. Ministros como Cristiano Zanin, Flávio Dino e Alexandre de Moraes já sinalizaram ver na renúncia uma manobra para fraudar os efeitos da decisão eleitoral.

Como mostrou VEJA no mês passado, o julgamento no STF sobre a sucessão no Rio se tornou o principal termômetro do futuro político de Castro. Os sinais emitidos pela Corte foram amplamente desfavoráveis. O histórico do Supremo em ações semelhantes também joga contra o ex-governador: não há precedente recente de reversão de condenações eleitorais desse porte envolvendo governadores.

Aliados do ex-governador já haviam admitido, reservadamente a VEJA, que a candidatura de Castro ao Senado poderia ser sacrificada se os recursos contra a inelegibilidade do ex-governador não fossem bem-sucedidos. A entrada da Polícia Federal agrava o contexto.

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O impacto vai além da situação individual do ex-governador. O avanço das investigações tende a embaralhar ainda mais a sucessão fluminense, já marcada por insegurança jurídica e disputas no STF sobre o formato da eleição-tampão no estado.

A operação desta sexta apura suspeitas de fraudes fiscais, ocultação patrimonial e evasão de recursos ao exterior envolvendo empresas do setor de combustíveis. Policiais federais estiveram na casa do ex-governador, em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste da capital fluminense. As buscas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes.



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