A nova operação da Polícia Federal contra o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), espalhou pânico nos corredores da Assembleia Legislativa do Rio. Deputados estaduais estão em estado de alerta, sob o temor de que novas ofensivas da PF avancem sobre nomes do núcleo político que comandou o estado nos últimos anos.

O clima na Alerj já vinha se deteriorando nos últimos meses após investigações envolvendo personagens influentes da política fluminense. As prisões dos ex-deputados TH Joias e Rodrigo Bacellar e do deputado Thiago Rangel haviam criado, nas palavras de um parlamentar do PL, um ambiente “péssimo” no Legislativo estadual.

A operação desta sexta-feira, 15, contra Castro agravou ainda mais a sensação de cerco. Nos bastidores, parlamentares admitem medo de novas investigações atingirem integrantes da antiga base governista. A avaliação é a de que a PF avança sobre o coração político do estado e pode fazer novas buscas e até prisões nos próximos meses.

Publicamente, os parlamentares afirmam que não têm o que temer, mas, na prática, a operação aprofundou a percepção, dentro da própria Alerj, de que o ciclo político construído ao redor de Castro e Bacellar está sob escrutínio dos órgãos de investigação.

Bacellar foi preso pela primeira vez em dezembro. Na ocasião, a PF apreendeu celular e computadores ligados a ele na Alerj. O medo do conteúdo dos aparelhos telefônicos virou um fantasma permanente rondando a Casa. Deputados ligados ao ex-presidente tinham razão para temer: no início deste mês, Thiago Rangel acabou preso após análise de um dos computadores recolhidos pelos agentes.

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Um deputado da oposição ouvido por VEJA afirma que a crise de imagem da Alerj “respinga em todos” na Casa. As operações também tendem a impactar indiretamente a sucessão ao governo do Rio. Está nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF) arbitrar o formato da eleição suplementar que vai definir quem deve concluir o mandato de Cláudio Castro. O passivo de escândalos corrobora a desconfiança da Corte em torno das condições de colocar o futuro do estado nas mãos da Assembleia Legislativa.

A crise de confiança que atinge a Alerj é um problema também para o novo presidente, Douglas Ruas (PL), que é pré-candidato ao governo. O deputado assumiu o cargo no mês passado ciente do desafio de “limpar a imagem” da Casa Legislativa. Ele decidiu não vai colocar em votação a soltura de Rangel, seguindo decisão de Moraes, mas essa postura também gera preocupação. Deputados temem que, na hipótese de novas detenções, aliados tenham o mesmo destino.



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